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Fidelidade Arte recebe exposição de artista vencedor do Leão de Ouro da Bienal de Veneza

A exposição "Acha que minto?", de Jimmie Durham, tem curadoria de Delfim Sardo,e integra o projeto Reação em Cadeia que prevê que os artistas, em reflexão com o curador, convidem sucessivamente os próximos, numa reação em cadeia geradora de amplas ligações artísticas.

Foto/ Photo: Nick Ash

7 Jun a30 Ago

Fidelidade Arte
Largo do Chiado, 8 1249-125 Lisboa
Preço
Entrada livre


A Fidelidade Arte e a Culturgest inauguram a exposição “Acha que minto?” da autoria de Jimmie Durham, artista que recebeu recentemente aquele que é o mais significativo prémio de artes plásticas do mundo, o Leão de Ouro, para o conjunto da obra, atribuído pela Bienal de Veneza.

Com curadoria de Delfim Sardo e com entrada gratuita, a exposição decorre no âmbito do projeto de promoção da arte contemporânea Reação em Cadeia, que propõe aos artistas participantes a colaboração no convite ao artista que lhes sucede. O ciclo, apresentado no espaço Fidelidade Arte, no Largo do Chiado em Lisboa e, posteriormente, na Culturgest no Porto, implica sempre uma estreita adequação do projeto às galerias, em diferentes declinações em cada um dos espaços.

Jimmie Durham (E.U.A., 1940) é um artista norte-americano cujo percurso cruza a poesia, o ativismo político e a prática artística numa enorme coerência que tem dado novos sentidos à relação entre política e poética. A exposição "Acha que minto?" retoma a exposição intitulada História Concisa de Portugal que o artista apresentou em 1995, na Galeria Módulo. Depois de se mudar definitivamente para a Europa, em 1994, esta foi a primeira exposição em Portugal e viria a ser central no seu percurso. 

Para além das peças de 1995, o artista apresenta uma obra sonora, que passou um longo período sem ser mostrada, e uma peça nova, especificamente concebida para esta exposição. Jimmie Durham iniciou o seu percurso como ativista político, poeta e performer muito jovem, no início da década de 1960. Em 1969, já em Genebra, estudou escultura e performance na École National Supèrieure des Beaux Arts. Este ano ganhou o Leão de Ouro pelo conjunto da sua obra, na 58ª Bienal de Veneza.

No âmbito do projeto Reação em Cadeia, Jimmie Durham foi o artista proposto por Ângela Ferreira (Maputo, 1958), que o antecedeu, sendo Elisa Strinna (Pádua, 1982) a artista que lhe sucederá. 

No final de cada ano, será publicado um livro que compilará a memória dos três projetos do ano, com extensa documentação sobre o seu desenvolvimento.

Jimmie Durham | ENG
O percurso de Jimmie Durham cruza a poesia, o ativismo político e a prática artística numa enorme coerência que tem dado novos sentidos à relação entre política e poética. Permanentemente questionando as representações identitárias oriundas das forças dominantes, os processos de exploração e os discursos de acantonamento do outro, a obra de Durham funciona como um espelho em relação às nossas próprias construções identitárias e representações mais atávicas.

A exposição que apresenta no projeto Reação em Cadeia retoma a exposição intitulada História Concisa de Portugal que o artista apresentou em 1995, na Galeria Módulo. Esta foi a primeira presença do seu trabalho em Portugal e veio a ser relevante no seu percurso.

Inspiradas na obra O Ano da Morte de Ricardo Reis, de José Saramago (que Durham considera um livro de referência para si próprio e para a história do século XX), as obras incluem citações do texto que, dactilografadas ou manuscritas, integram individualmente cada uma das peças, não se constituindo, no entanto, como metáforas ou ilustrações.

O trabalho artístico de Jimmie Durham é frequentemente vinculado ao lugar específico onde é criado. Também as peças que integraram a exposição apresentada na Galeria Módulo partiram sempre do universo local: Lisboa. Construídas a partir de objetos encontrados pelas ruas da cidade (troncos e pedaços de madeira, pedras e peças variadas de metal, plástico, cerâmica ou tecido), parecem definir um universo precário e resgatado a um tempo indefinido. A relação paradoxal entre realidade e ficção, essencial na estrutura do livro de Saramago que narra o último ano da vida do mais famoso heterónimo de Fernando Pessoa, possui aqui um correlato expresso no título da exposição «Acha que minto?», ele próprio uma citação do mesmo livro. Valerá a pena transcrever o texto de Saramago, por sua vez incluído numa das obras de Durham:

«Acha que minto, Não, que ideia, aliás, nós não mentimos, quando é preciso limitamo-nos a usar as palavras que mentem.»

Uma das obras em exposição, As Frases, 1995, consiste numa escultura que integra um lavatório banal quebrado e os restos da sua fratura espalhados no chão. Trata-se de uma obra que resultou da performance que o artista realizou na inauguração da exposição, na qual, após um monólogo sobre a generalidade do mundo proferido enquanto construía um machado com uma pedra, um tronco de madeira e uma tira de couro, subitamente, num gesto determinado e teatral, quebrou o lavatório.

A questão que Jimmie Durham traz à superfície é a da verdade da obra de arte, provavelmente um dos temas mais relevantes num mundo que esquece permanentemente a natureza ficcional da arte – o que não implica que não inscreva, na sua materialidade e no caráter representacional, uma intrínseca verdade paradoxal. A fragilidade e aparente vernacularidade das obras que integram a exposição joga, portanto, com a fina linha entre a produção do real e a recolha de objetos do mundo, num palimpsesto de sentidos que gera uma tensão entre o que nos é dado e o que construímos.

Para além das peças de 1995, o artista apresenta uma obra sonora (SONG NC SHARP, 2006), que passou um longo período sem ser mostrada, e uma peça nova. A primeira regista o som de vidros a quebrarem, copos atirados contra o chão ou a parede pela mão do próprio artista; a segunda é uma escultura especificamente concebida para este projeto, que inclui pedras semipreciosas colecionadas por Durham ao longo dos anos.

No seu conjunto, estas obras retomam as temáticas que o artista tem vindo a desenvolver: a quebra, o estilhaçar do mundo e, simultaneamente, o seu encantamento assente no acidente, e as políticas de representação identitária.

Acha que minto? constitui, desta forma, não só a recuperação de um momento importante no percurso de Jimmie Durham, mas também uma ponte em relação ao seu trabalho presente, demonstrando a sua aguda atualidade.

Biografia | Biografia ENG
Jimmie Durham
 (E.U.A., 1940) iniciou o seu percurso como ativista político, poeta e performer muito jovem, no início da década de 1960. Em 1969, já em Genebra, estudou escultura e performance na École National Supèrieure des Beaux Arts.

De regresso aos Estados Unidos envolveu-se com o American Indian Movement, do qual integrou o Conselho Central e, posteriormente, dirigiu o International Indian Treaty Council, tendo vindo a ser o seu representante nas Nações Unidas.

Em 1980, voltou a dedicar-se à arte, mantendo, no entanto, o ativismo político e associativo. Deixou os E.U.A. em 1987 e foi viver para Cuernavaca, México, período durante o qual participou em exposições internacionais de referência, como a Documenta (Kassel, Alemanha) ou a Bienal de Whitney (Nova Iorque, E.U.A.). Estabeleceu-se na Europa em 1994, residindo atualmente entre Berlim e Nápoles.

Os seus textos foram reunidos num livro intitulado A Certain Lack of Coherence (Kala Press, 1993), tendo sido publicado um segundo volume mais recentemente, Jimmie Durham: Waiting to be Interrupted. Selected Writings 1993–2012 (M HKA e Mousse Publishing, 2014).

Em 2017, foi objeto da exposição retrospetiva Jimmie Durham: At the Center of the World, organizada pelo Hammer Museum (Los Angeles, E.U.A.) onde foi primeiramente apresentada, tendo passado posteriormente por outros locais: Walker Art Center (Minneapolis, E.U.A.), Whitney Museum of American Art (Nova Iorque, E.U.A., 2017-2018) e Remai Modern (Saskatoon, Canadá, 2018).

Este ano ganhou, na 58ª Bienal de Veneza, o Leão de Ouro pelo conjunto da sua obra.

Reação em Cadeia
Reação em Cadeia é o título do projeto que resulta da colaboração entre a Fidelidade Arte e a Culturgest, com curadoria de Delfim Sardo. A proposta consiste em implicar os artistas na seleção dos seus pares, que irão suceder-lhes no espaço da Fidelidade Arte (primeiro) e da Culturgest Porto (em seguida). Assim, o curador dirigiu o primeiro convite a Ângela Ferreira (Maputo, 1958), cuja exposição inaugurou este ciclo e de quem partiu a escolha sobre Jimmie Durham, como seu sucessor. Por sua vez, o artista norte-americano que agora se apresenta, colaborou na seleção do artista seguinte, Elisa Strinna (Pádua, 1982).

As três intervenções conhecerão diferentes declinações no espaço da Fidelidade Arte e da Culturgest Porto, nomeadamente com a presença de obras diferentes, resultado de profundas adaptações dos projetos à diferente natureza dos dois espaços.

No final de cada ano será publicado um livro que compilará a memória dos três projetos do ano, com extensa documentação sobre o seu desenvolvimento.

Sobre a Fidelidade
A Fidelidade é a seguradora líder de mercado em Portugal, tanto no ramo vida como não vida, registando atualmente uma quota de mercado de cerca de 30,7%. A companhia está presente nos vários segmentos de negócio da atividade seguradora e beneficia da maior rede em Portugal, marcando presença em vários países, nomeadamente Angola, Cabo Verde, Moçambique, Espanha, França e Macau.

A Fidelidade atua com base numa estratégia definida e continuada de “Customer Centric Approach”, onde os clientes estão efetivamente em primeiro lugar. O facto de dar uma importância crucial à qualidade do serviço que presta e à oferta abrangente e inovadora que oferece fazem da Fidelidade uma das seguradoras mais premiadas em Portugal, bem como internacionalmente. Em 2014, a Fidelidade foi distinguida pela “Efma Accenture Innovation Awards”, na categoria de “sustainable business”, com o seu projeto ‘WeCare‘, que tem como objetivo apoiar a correta reinserção de pessoas que foram vítimas de acidentes graves que puseram em causa a sua reintegração física, económica e social. www.fidelidade.pt

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