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Teatro

Teatro Académico da ULisboa estreia pela primeira vez em Portugal "Um acontecimento em Goga"

O dramaturgo Slavko Grum (1901-1949) terá escrito esta peça em final dos anos vinte do século passado, tendo sido publicada em 1930 e representada pela primeira vez em 1931.

15 Mai a19 Mai

Auditório da Cantina Velha
Cidade Universitária
Lisboa
Portugal


Estudou medicina em Viena onde tomou conhecimento das teorias de Sigmund Freud, das movimentações sociais, espirituais e políticas que atravessavam a europa, bem como das vanguardas artísticas que fervilhavam na época, tendo sido influenciado sobretudo pelo simbolismo e expressionismo.

Na sua peça, segundo o autor, as personagens são como que manipuladas por forças do subconsciente, das quais só se conseguem libertar dando-lhes vida plena até ao seu esgotamento.

Desde a sua origem, a imaginada Goga, entrou na linguagem e mitologia eslovena como um certo tipo de mentalidade coletiva sufocante.

Em Goga, como em qualquer outro lugar, todos esperam que algo de relevante aconteça. Algo que mude verdadeiramente as nossas vidas. Numa sociedade em que a mudança permanente se tornou a norma, também se instala uma certa uniformidade, pois se aprende que no essencial tudo continua na mesma.

Em Goga, todos procuram, mesmo que o não saibam, um paraíso perdido ou imaginado, que não parece estar à vista. Goga, é o que poderíamos designar como uma investigação baseada em arte, sobre a liberdade, a criação e o mistério da vida.

GOGA 
No vigésimo aniversário do FATAL – Festival Anual de Teatro Académico de Lisboa, estreamos pela primeira vez em Portugal “Um acontecimento em Goga” de Slavko Grum, setenta anos após a morte do autor. Esta peça de teatro foi-me dada a conhecer pela professora e investigadora Barbara Juršic, a tradutora de José Saramago para esloveno. O dramaturgo Slavko Grum (1901-1949) terá escrito esta peça em final dos anos vinte do século passado, tendo sido publicada em 1930 e representada pela primeira vez em 1931. Estudou medicina em Viena onde tomou conhecimento das teorias de Sigmund Freud, das movimentações sociais, espirituais e políticas que atravessavam a europa, bem como das vanguardas artísticas que fervilhavam na época, tendo sido influenciado sobretudo pelo simbolismo e expressionismo.  Na sua peça, segundo o autor, as personagens são como que manipuladas por forças do subconsciente, das quais só se conseguem libertar dando-lhes vida plena até ao seu esgotamento.  Desde a sua origem, a imaginada Goga, entrou na linguagem e mitologia eslovena como um certo tipo de mentalidade coletiva sufocante.

ESTAÇÃO DE GOGA 
No momento em que escrevo este texto ainda não temos a confirmação se iremos conseguir apresentar esta peça numa estação de metro. Mas mesmo que isso não venha a ser possível desta vez, de algum modo essa eventualidade já habitou o nosso imaginário. Goga é uma estação de metro isolada. Não pertence a nenhuma linha. Mas pode-se ligar a qualquer estação de metro do mundo. É uma estação onde apenas se espera, onde ninguém chega e de onde ninguém consegue partir. Estação subterrânea, escondida, mais bem ocultada que oculta, não propriamente secreta, mas portadora de segredos do corpo, da mente e da alma humana. Goga é uma estação à qual apenas se pode aceder pelo Teatro. Gruta e catacumbas onde a beleza se pode esconder, e preservar de uma contemporaneidade em que tudo o que pode ser visto, pode ser vendido. Viagem no tempo, a um tempo outro e a um tempo interior. Goga, como umbigo do mundo, onde coexistem diferentes níveis de realidade, a dos mortos, a dos vivos e a dos deuses. Onde se destila e concentra a existência e a natureza humana. Onde se sentem as pulsões imanentes de Eros e Thanatos, e as tensões transcendentes de finitude e eternidade.

UM ACONTECIMENTO EM GOGA 
Em Goga, como em qualquer outro lugar, todos esperam que algo de relevante aconteça. Algo que mude verdadeiramente as nossas vidas. Numa sociedade em que a mudança permanente se tornou a norma, também se instala uma certa uniformidade, pois se aprende que no essencial tudo continua na mesma. Em Goga, todos procuram, mesmo que o não saibam, um paraíso perdido ou imaginado, que não parece estar à vista. Goga, é o que poderíamos designar como uma investigação baseada em arte, sobre a liberdade, a criação e o mistério da vida. Sobre o mais que se poderia dizer, é bom dar lugar agora ao diálogo e ao silêncio...

Júlio Martín da Fonseca

Horário: 15, 16 e 18 de maio, às 21h30; 19 de maio às 17h.

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