"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"

Música

Jazz em Agosto regressa à Gulbenkian

O jazz sempre teve na sua raiz a semente da contestação e da mudança, enquanto música movida pelo contexto social à sua volta e capaz de apontar o foco para todo o tipo de arbitrariedades que são frequentemente incómodas e que os olhares preferem tantas vezes ignorar

1 Ago a11 Ago

Fundação Calouste Gulbenkian
Av. de Berna, 45A / 1067-001 Lisboa

A música deve carregar consigo um sentido maior, deve ser veículo para a mais profunda expressão de tudo aquilo que nos faz humanos e apontar para uma existência mais digna. O jazz soube, em diversas ocasiões, canalizar e potenciar a contestação e a revolta de uma forma impossível de silenciar.

No seu livro 33 Revolutions per Minute, o jornalista inglês Dorian Lynskey traça uma história da música de protesto e aponta para Strange Fruit, a inesquecível canção de Billie Holiday, como o possível nascimento da contestação sob a forma de uma canção popular – “não era a primeira canção de protesto, de todo, mas era a primeira a carregar uma mensagem política explícita para a arena do entretenimento”. Ao atirar o tema sobre o público do Café Society, em Março de 1939, a voz sofrida de Holiday deixava todos presos a cada palavra e tornava claro que uma canção tinha em si o condão de agitar as águas e promover a transformação.

Nesse sentido, também o guitarrista Marc Ribot defende que todos os movimentos impulsionadores de mudanças sociais e de resistência têm a sua banda sonora. E foi por isso que o músico, colaborador habitual de nomes fundamentais da criação do nosso tempo como Tom Waits e John Zorn, arregaçou as suas mangas revolucionárias e reuniu um cancioneiro que batizou como Songs of Resistance, em resposta ao turbulento contexto social e político vivido atualmente nos Estados Unidos. É a Marc Ribot e ao seu insubmisso projeto que cabe o concerto de abertura do 36.º Jazz em Agosto, dando o mote para uma edição sob o signo da resistência e do grito coletivo clamando por um mundo mais justo.

É a esse mesmo grito que se juntam Heroes Are Gang Leaders, Burning GhostsNicole Mitchell ou Ambrose Akinmusire. Mas a revolução apregoada neste Jazz em Agosto estende-se igualmente para lá da sua dimensão mais política, num ano em que, às noites no Anfiteatro ao Ar Livre, se voltam a juntar os concertos da tarde no Auditório 2, lembrando-nos quão revolucionária é também a vanguarda musical que descobrimos em Ingrid Laubrock e Tom Rainey, Théo Ceccaldi, Julien Desprez, Mary HalvorsonTomas Fujiwara, Zeena Parkins, Han-earl Park ou no quarteto Toscano, Pinheiro, Mira e Ferrandini.

MÚSICA PARA QUE TUDO NÃO FIQUE NA MESMA.
PARA QUE A MUDANÇA ACONTEÇA.

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