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Porto Editora publica "Sob a forma do silêncio"

Elogio da sombra encerra o seu primeiro ano com a publicação de Emanuel Madalena, poeta estreante.


A Porto Editora publica Sob a forma do silêncio, o livro de estreia de Emanuel Madalena e o nono livro da coleção de poesia elogio da sombra, coordenada por Valter Hugo Mãe.

Nascido em Aveiro, em 1986, Emanuel Madalena é doutorando em Estudos Literários pela Universidade de Aveiro. Com várias publicações dispersas, vem recebendo distinções em prémios literários, tendo sido também selecionado para a mostra nacional do Concurso Jovens Criadores e participou na VIII Bienal de Jovens Criadores da CPLP.

Apresenta-se agora com um primeiro livro "maduríssimo". O poema é território de perigo e onde se joga o essencial. Tudo "quanto é seguro é deixado fora da poesia" e é no verso que se troca a modéstia da voz / pelo contrabando da língua. "Entre o vocábulo e o indizível, o poema é a oferenda possível, vastidão mais absoluta que há", escreve o curador da elogio da sombra sobre esta obra que encerra o primeiro ano de vida desta coleção.

Dada a conhecer em fevereiro, a elogio da sombra apresentou-se com quatro títulos: Autópsia [poesia reunida], de José Rui Teixeira, um fugaz regresso à vida editorial da poeta Isabel de Sá com O real arrasa tudo, uma antologia e também inéditos de Andreia C. Faria em Alegria para o fim do mundo e a estreia de Luís Costa com Amar no tempo das grandes maldições.

A estes quatro títulos seguiram-se Uma falha nos dentes, de João Gesta e Poesia, do surrealista Fernando Lemos, volume que compila toda a obra deste poeta, artista plástico e designer.

No rasto dos duendes eléctricos (1978-2018), de Adolfo Luxúria Canibal, e Um dia tudo isto será meu [uma antologia], de João Habitualmente, acostam-se a esta estreia de Emanuel Madalena, completando assim o conjunto de nove obras publicadas durante 2019.

Sobre o livro
É poderosa a imagem com que Emanuel Madalena se apresenta, insinuando a poesia como modo de trocar "a modéstia da voz / pelo contrabando da língua". Tudo quanto é seguro é deixado fora da poesia. A estreia do poeta é a inauguração do perigo, proposta de uma angústia outra vez original. 
Corajoso o regresso à "torre", tão elevado quanto cercado por seu ponto de vista, sem completude, apenas intensificação. Não há possibilidade de completude nem de sossego. Todos os planos serão um vício. E isso é imediatamente Wittgenstein, cuja pessoa e obra são o eixo de todo o livro. Wittgenstein é a afinação de cada verso, para a lucidez perante o fracasso e para o irresistível da amorosidade. Ele é a profunda intimidade do livro, convocando amantes, cúmplices, aludindo ao dia da morte, inscrevendo nos versos de Madalena a mesma folia pelo rigor de um pensamento que, afinal, conflitua sempre mais. Como uma matemática que se ramifica e complexifica até ao infinito, na tremenda abstracção ou no já indizível, sem mais prova senão uma certa fé, um certo génio. 
Maduríssimo primeiro livro, construído na ansiedade crítica do olhar "sob a forma do eterno". Se o poeta claudica entre erro e fracasso, seu sentido está em depurar, de tudo o que pode saber, o que é fantasia e o que sobra de verdade. Entre o vocábulo e o indizível, o poema é a oferenda possível, vastidão mais absoluta que há. Impressiona-me que Madalena estreie magnificamente consciente da vastidão mais absoluta que há. 

Valter Hugo Mãe

Memento mei
Que as palavras se habituem à raridade do ofício,
ao conforto da minúcia,
ao sentido da gratidão,
que nasçam brilhantes e abruptas,
com as feições efémeras do pensamento —
e é tudo, excepto mais confusões.

Por isso ofereço-te um fim que não acabe o mundo,
por hipótese um prefácio,
um livro primeiro que adivinhe a urgência
do que não foi escrito,
e espero que encontres a vocação
de escavar as trevas no limite das palavras,
e talvez então se ensaie a poesia
toda de silêncio. 

Sobre o autor

Emanuel Madalena
Nasceu em Aveiro, em 1986, e é mestre em Estudos Editoriais e doutorando em Estudos Literários na Universidade de Aveiro. É também mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade do Porto. Foi duas vezes seleccionado para a mostra nacional do Concurso Jovens Criadores, participou na VIII Bienal de Jovens Criadores da CPLP e vem recebendo distinções em vários prémios literários. Até agora, dispersou contos e poemas por eventos e publicações digitais, analógicas, antológicas e arqueológicas. Este é o seu primeiro livro. 

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