"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"

Teatro

Jorge de Sena na exposição da BNP

Encerramos, pelo menos para já, estas evocações da vida e obra de Jorge de Sena, para referir a exposição muito recentemente inaugurada na Biblioteca Nacional de Portugal.


Intitulada “Jorge de Sena ­- As Máscaras do Poder”, constitui uma muito interessante mostra evocativa do escritor, que completa um século sobre o nascimento (1919), como aqui referimos e analisamos nos artigos anteriores.

Na documentação distribuída destaca-se um texto da autoria de Isabel de Sena, o qual contém como que uma síntese relevante da vida e obra do escritor homenageado.

No que respeita ao teatro, Isabel de Sena evoca a vasta obra e refere a visão erudita contida em numerosos textos e em especial no livro intitulado “Do Teatro em Portugal”. Cita “O Indesejado”, “Mater Imperialis” e “Amparo de Mãe”.

E nesse aspeto, destacamos, especificamente, na exposição, cadernos contendo textos e referências tanto a obras diversas de Sena como a peças e mais referências de outros escritores, bem como a espetáculos e produções diversas.

Destacamos designadamente manuscritos, cadernos contendo textos dramatúrgicos e/ou de analise, estratos de diários, traduções e sucessivas edições.

Isto, além de cadernos com diversas peças de teatro, correspondência que também as refere, além de livros sobre teatro, sobre cinema e especificamente sobre espetáculos.

Nesse aspeto, Isabel de Sena evoca a recolha de textos “Sobre Cinema”, assim expressamente intitulada.

Mas a exposição comporta ainda numerosos documentos e correspondência que indica títulos ou esboços de expressão teatral, incluindo os que não foram produzidos.

E no que respeita designadamente à correspondência, encontramos cartas enviadas e/ou recebidas de nomes referenciais da cultura portuguesa. Citamos nesse aspeto as cartas de e para Sophia de Mello Breyner Andresen e Francisco Sousa Tavares.

E registe-se ainda que na sessão de inauguração na BNP foram distribuídas reproduções de dois poemas manuscritos. Citamos então a denominada “Epígrafe para a Arte de Furtar”:

“Roubaram-se Deus/ outros o Diabo/ - quem cantarei?
Roubaram-me a Pátria /a humanidade /outros ma roubaram/ - quem cantarei?
Sempre há quem roube/ quem eu deseje;/ E de mim mesmo/ todos me roubaram/ - quem cantarei?
Roubaram-me a voz/ quando me calo,/ ou o silêncio/ mesmo se falo. /- Aqui del-Rei!!”

E mais: foi também distribuída a reprodução de uma composição musical de Jorge de Sena sobre poema de Fernando Pessoa “Sobre Velha Música” datado de 1938-1939.

O que documenta o mais amplo criacionismo artístico do grande escritor!... 

Duarte Ivo Cruz

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