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De Cohen a Tarkovsky, de Paulo Rocha a Bruno Aleixo: as múltiplas identidades 2019 do Porto/Post/Doc

Marianne & Leonard – Words of Love: um zoom à musa de Leonard Cohen DR Um Punk chamado Ribas DR Zé Pedro Rock'n'Roll DR Alone, do lituano Audrius Stonys DR Oh! Die Vier Jahreszeiten, da alemã Ute Aurand DR


É sob o signo das “identidades” que se desenha a sexta edição do Porto/Post/Doc 2019, a decorrer de 23 de novembro a 1 de dezembro nas salas do Teatro Rivoli e do Cinema Passos Manuel e em mais alguns espaços da cidade, e pela primeira vez com uma extensão a Braga. O festival de cinema dirigido por Dario Oliveira pretende lançar uma reflexão sobre as questões identitárias que se tornaram centrais no debate contemporâneo, reflexão essa que passará por obras – contemporâneas ou clássicas – de Andrei Tarkovsky, Paulo Rocha, Jonas Mekas, Ingmar Bergman, Pedro Costa ou Shirley Clarke, pelo foco no cinema da alemã Ute Aurand e do lituano Audrius Stonys, e pela música de New Order, Ryuichi Sakamoto, João Ribas, Zé Pedro ou Leonard Cohen.

Aliás, é com Cohen que começa o festival: o filme oficial de abertura Marianne & Leonard – Words of Love, documentário de Nick Broomfield sobre a relação do autor com a sua musa, passará também no “encerramento”, imediatamente antes da cerimónia de entrega dos prémios, a 1 de Dezembro. O cantautor canadiano faz a ponte com a secção de filmes sobre música do Porto/Post/Doc, Transmission, que exibe este ano Um Punk Chamado Ribas, de Paulo Antunes, sobre o já desaparecido vocalista dos Censurados e dos Tara Perdida, Batida de Lisboa, de Rita Maia e Vasco Viana, e Black Bombaim, de Miguel Filgueiras, a par de documentários sobre as banda britânicas Suede e New Order, o músico japonês Ryuichi Sakamoto e os lendários estúdios berlinenses Hansa, onde David Bowie gravou a seminal trilogia de Berlim com Brian Eno, e de um filme-concerto dos portuenses Sereias; outras secções recebem ainda o documentário sobre as meninas da pop francesa Haut les filles! e Zé Pedro Rock’n’Roll, de Diogo Varela Silva.

A produção portuguesa continua a ser presença importante no festival: a prová-lo a antestreia oficial do Filme do Bruno Aleixo, passagem ao grande ecrã da peculiar personagem de culto que chegará às salas em Janeiro próximo, assinada pelos seus criadores João Moreira e Pedro Santo, mas também as novas cópias digitais dos filmes de Paulo Rocha sobre Wenceslau de Moraes, A Ilha dos Amores (este último na versão restaurada estreada em Cannes em 2018) e A Ilha de Moraes. Na seleção Cinema Falado, mostrar-se-ão, entre outros, o novo Vitalina Varela, de Pedro Costa, em diálogo com o documentário que Júlio Alves dedicou ao cineasta, Sacavém; Viveiro, de Pedro Filipe Marques, vencedor da competição portuguesa do Doclisboa; e Sério Fernandes – O Mestre da Escola do Porto, que Rui Garrido dedica ao cineasta portuense formado no cinema industrial e autor de Chico Fininho, “redescoberto” há um ano pelo Porto/Post/Doc.

O Forum do Real, o habitual painel de discussões sobre o estado da arte, “conversa” este ano com a retrospetiva Identidades, que exibe filmes de Carole Roussopoulos, Shirley Clarke, Alain Tanner, Ben Rivers, Ingmar Bergman ou Kenji Mizoguchi; os debates contarão com a participação da filósofa Marie-José Mondzain, das cineastas Valérie Massadian, Christiana Perschon e Ben Rivers, do geógrafo Álvaro Domingues, do crítico e ensaísta António Guerreiro ou do poeta e crítico Pedro Mexia.

A competição oficial recebe nesta sexta edição nove longas-metragens: Creature, Where Are You Going?, dos italianos Gaia Formenti e Marco Piccaredda, De quelques évènements sans signification, do marroquino Mostafa Derkaoui (um filme maldito rodado em 1974 e imediatamente censurado, redescoberto em versão restaurada este ano no FIDMarseille), Krabi 2562, assinado a meias pela tailandesa Anocha Suwichakornpong e pelo britânico Ben Rivers, Lillian, do austríaco Andreas Horvath (produzido por Ulrich Seidl), Rushing Green with Horses, da cineasta experimental alemã Ute Aurand, Shooting the Mafia, da nossa bem conhecida Kim Longinotto, The Science of Fictions, do indonésio Yosep Anggi Noen, Transnistra, da sueca Anna Eborn, e X&Y, da sueca Anna Odell.

Ute Aurand será, aliás, objeto de uma das homenagens/retrospectivas deste Porto/Post/Doc; a outra será dedicada ao lituano Audrius Stonys (que programou igualmente sessões com outros cineastas seus conterrâneos, como Jonas Mekas, de quem serão exibidos Lost, Lost, Lost e Zefiro Torna). O festival exibirá igualmente o documentário que o filho de Andrei Tarkovsky – ele próprio também Andrei Tarkovsky – dedicou ao pai, A Cinema Prayer.

A decorrer, no Porto, entre o Rivoli e o Passos Manuel (com prolongamentos no Planetário, no hotel Zero Lodge Box e na Oficina Mescla), e estendendo-se até ao Gnration e ao Espaço Vita em Braga, o Porto/Post/Doc decorre este ano mais cedo do que em edições anteriores. A programação pode ser descoberta no site oficial www.portopostdoc.com


por Jorge Mourinha in Público | 30 de outubro de 2019
Notícia no âmbito da parceria Centro Nacional de Cultura | Jornal Público

 

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