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Destaques

Nobel: Três economistas distinguidos por trabalho experimental para reduzir a pobreza global

Abhijit Banerjee, Esther Duflo e Michael Kremer são os vencedores do prémio Nobel da Economia em 2019, anunciou a Real Academia das Ciências sueca.

Abhijit Banerjee, Esther Duflo e Michael Kremer


De acordo com a entidade que atribui os prémios, a distinção foi entregue para valorizar "a abordagem experimental para aliviar a pobreza global".

"A investigação levada a cabo pelos laureados melhorou consideravelmente a nossa capacidade para combater a pobreza global. Em apenas duas décadas, as novas abordagens deles baseadas em experiências transformou o desenvolvimento da economia", pode ler-se no site oficial da organização.

Em meados da década de 1990, Michael Kremer e os seus colegas fizer experiências de campo para testar uma série de intervenções que poderiam melhorar os resultados das escolhas no oeste do Quénia. Abhijit Banerjee e Esther Duflo seguiram o exemplo e realizaram estudos semelhantes em outros países. Agora, esses métodos de investigação experimental dominam a economia do desenvolvimento.

Michael Kremer nasceu em 1964 e é professor de desenvolvimento de sociedades na Universidade de Harvard. Também em Harvard leciona Abhijit Banerjee, nascido em 1961 em Mumbai, na Índia, e é casado com a também premiada Esther Duflo, nascida em 1972 em Paris, em França, que se tornou a pessoa mais jovem de sempre a vencer o prémio Nobel da economia.

No ano passado o prémio foi atribuído ao britânico Oliver Hart e ao finlandês Bengt Holmström pelas suas contribuições para a Teoria dos Contratos. 


 

PRÉMIOS NOBEL 2019  

• PRÉMIO NOBEL DA PAZ
Abiy Ahmed Ali

 

"O primeiro-ministro Abiy Ahmed Ali foi galardoado com o Prémio Nobel da Paz deste ano pelos seus esforços em prol da paz e da cooperação internacional, em particular pela sua iniciativa decisiva de resolver o conflito fronteiriço com a vizinha Eritreia", indicou a presidente do Comité Nobel, Berit Reiss-Andersen.
Decidido à porta fechada por um comité de cinco pessoas nomeadas pelo Parlamento norueguês, este era um dos prémios aguardados com maior expetativa desta temporada Nobel, face às especulações sobre o eventual vencedor.
O primeiro-ministro etíope era, nalgumas apostas, o segundo entre os favoritos para vencer o Nobel da Paz. Em causa está o seu trabalho para reforçar a democracia na Etiópia desde que tomou posse, em abril de 2018, com a libertação de presos políticos e a nomeação de um governo paritário, assim como a assinatura dos acordos de paz com a vizinha Eritreia (pondo fim a um conflito de 20 anos que fez mais de 70 mil mortos).
Na carta de nomeação de Abiy Ahmed, divulgada pelos jornais locais, lê-se que o político de 43 anos é "um símbolo de paz e justiça numa região onde os líderes políticos têm governado pela violência, tirania e violação dos direitos humanos" e por ser "um líder transformacional em equidade e direitos humanos dentro da Etiópia".
Filho de mãe cristã e de pai muçulmano, Abiy Ahmed, chegou ao poder em fevereiro de 2018, após a demissão de Hailemariam Desalegn, no contexto de uma profunda crise política. Converteu-se no líder mais jovem de África. Chegado ao poder, tentou conter os confrontos, libertou centenas de presos políticas, retirou o estado de emergência e permitiu o regresso à Etiópia de figuras destacadas da oposição que se tinham exilado.
Reagindo ao prémio, através do Twitter, o gabinete do chefe do governo da Etiópia declarou: "Expressamos o nosso orgulho na escolha do primeiro-ministro da Etiópia para Prémio Nobel da Paz de 2019. Este reconhecimento é um testemunho dos ideais da unidade, da cooperação e da coexistência mútua, que o primeiro-ministro tem vindo consistentemente a defender".
"A paz não surge das ações de uma das partes apenas. Quando o primeiro-ministro Abity estendeu a mão do presidente Afwerki, este agarrou-a e ajudou a formalizar o processo de paz entre os dois países. O Comité Nobel Norueguês espera que este acordo de paz traga mudanças positivas para todas as populações da Etiópia e da Eritreia (...) Sem dúvida, algumas pessoas acharão que este prémio está a ser atribuído demasiado cedo. O Comité Nobel Norueguês acredita que os esforços de Ahmed Abiy merecem reconhecimento e precisam de ser encorajados", disse aos jornalistas em Oslo a presidente daquele comité.
No passado, críticas surgiram sobre o Nobel da paz atribuído ao ex-presidente dos EUA Barack Obama, há precisamente dez anos. Algumas vozes consideraram essa atribuição precipitada e alguns chamaram-lhe mesmo o Nobel da Paz preventivo. Questionada pelos jornalistas presentes em Oslo esta sexta-feira sobre se, precisamente, o prémio não foi precipitado, uma vez que o jovem líder etíope ainda tem que introduzir reformas democráticas, a presidente do comité respondeu: "Reconhecemos as suas intenções de levar a cabo eleições democráticas no próximo ano e não concordo com a premissa da sua pergunta, porque, definitivamente, há muito que já foi conseguido em termos de fazer reformas democráticas na Etiópia, mas há ainda um longo caminho a percorrer. Roma não foi feita num dia e a paz e o desenvolvimento democrático também não são atingidos num curto espaço de tempo".
A favorita nas apostas era a jovem sueca de 16 anos Greta Thunberg, ativista em defesa do clima, mas acabou por não ser escolhida pelo comité Nobel. Entre os nomes falados estava também o da chefe do governo neo-zelandês, Jacinda Ardern, pela sua resposta ao atentado terrorista contra as mesquitas de Christchurch. E o de organizações como a Repórteres Sem Fronteiras ou o Comité para a Proteção dos Jornalistas.
Questionada sobre se o primeiro-ministro da Etiópia era um nome mais consensual - do que por exemplo o da jovem sueca Thunberg - e sobre quando é que o comité pensa regressar às questões ambientais na hora de decidir o prémio, a presidente do comité norueguês afirmou: "No dia em que anunciamos o prémio, não fazemos comentários sobre quem não recebeu o prémio e sobre quem poderia ter recebido o prémio. Portanto, não faço comentários sobre isso".
Em 2004, o Nobel da Paz foi para uma ambientalista queniana, Wangar? Muta Maathai (entretanto falecida em 2011), a primeira mulher africana a receber este galardão. Maathai ficou conhecida pela sua luta pela conservação das florestas e do meio ambiente. Ativista, fundou o movimento Cinturão Verde, ainda nos anos 1970, no Quénia, uma iniciativa no âmbito da qual foram plantadas 30 milhões de árvores. Antes de morrer, em 2011, estava a ajudar a ONU no projeto de plantar mil milhões de árvores.
O novo laureado sucede aos premiados com o Nobel da Paz em 2018, o médico Denis Mukwege, que dedicou sua vida à defesa de vítimas de violência sexual em tempo de guerra no seu país, a República Democrática do Congo, e a Nadia Murad, a yazidi que foi vítima de violência sexual por parte do Estado Islâmico no Iraque. Nadia Murad conseguiu fugir e denunciou ao mundo as atrocidades sofridas - por ela própria e por muitos outros jovens e mulheres da sua etnia.  

• PRÉMIO NOBEL DA LITERATURA
Olga Tokarczuk e Peter Handke

Depois de um ano sem Prémio Nobel da Literatura, a Academia Sueca acaba de anunciar os vendedores das edições 2018 e 2019: Olga Tokarczuk e Peter Handke.
É sempre imprevisível a escolha dos escritores que a Academia Sueca considera merecerem o Prémio Nobel e a edição de 2019 não foge ao que o júri nos habituou: o polémico Peter Handke.
O autor tem a maior parte da sua obra publicada em Portugal.
Para a Academia Sueca, o austríaco Peter Hadke é um autor cujo "trabalho influenciou com a sua ingenuidade linguística explorou a periferia e a especificidade humana."
Quanto à edição de 2018 do Nobel da Literatura, marcada por um dos piores escândalos na instituição, a vencedora é Olga Tokarczuk.
Para a Academia Sueca, a polaca Olga Tokarczuk tem "uma narrativa imaginativa que com a sua paixão enciclopédica representa a travessia das fronteiras como uma forma de viver."
A autora tem o seu livro Viagens traduzido em Portugal e, por coincidência, na próxima segunda-feira será lançado o seu mais recente livro no nosso país, intitulado Conduz o Teu Arado Sobre os Ossos dos Mortos.
Os dois novos Nobel da Literatura são dois autores conhecidos dos leitores portugueses.
Olga Tokarczuk, a Nobel de 2018, foi finalista do National Book Award 2018 e venceu o Man Booker 2018 com o romance Viagens, onde relata a história do regresso do coração de Chopin a Varsóvia pela sua irmã. O grande tema do romance é o corpo em movimento, não apenas através do espaço, mas também do tempo, e repete a grande interrogação desde há séculos: de onde vimos? Para onde vamos?, neste caso, para onde regressamos? A receção ao livro foi muito boa e a revista The New Yorker caracterizou-o como dono de uma visão "perspicaz que transforma o mundo, assim como o seu livro altera as formas convencionais de escrita."
Peter Handke foi um autor muito lido em Portugal e a sua corte de leitores exigiu a publicação da maior parte da sua obra, tendo o seu livro A Angústia do Guarda-redes Antes do Penalty tornado até numa expressão popular e amplqamente repetida. O seu mais recente livro publicado no nosso país foi Os Belos Dias de Aranjuez - Um diálogo de Verão, em 2014. Trata-se do seu regresso à escrita teatral, colocando um casal num diálogo comovente e cúmplice sobre o amor, com uma troca de recordações íntimas. A peça foi representada uma única vez nesse mesmo ano, com a presença do autor aquando da 8.ª edição do Lisbon & Estoril Film Festival, com encenação de Tiago Guedes e os atores Isabel Abreu e João Pedro Vaz.  

Protestos certos em dezembro para Peter Handke em Estocolmo
Se a escolha de Olga Tokarczuk repara a ausência de escritoras na lista de 110 nomes maioritariamente masculinos e agrada à espuma dos dias das redes sociais - apesar da sua importante escrita -, já Peter Handke é um nome inesperado devido ao seu passado polémico, mostrando que a Academia Sueca não pretende jogar apenas no terreno do politicamente correto após ter concedido o Nobel a Bob Dylan.
Recorde-se que muitos leitores se afastaram do autor, e este dos seus leitores, quando Handke fez um discurso no funeral do criminoso de guerra, o sérvio Slobodan Miloševic, em 2006. Handke, que tem antepassados eslovenos, foi muito criticado pela sua participação no funeral e pelas suas posições anti-Nato e a favor da Sérvia, mesmo que recebesse no mesmo ano o prémio Heinrich Heine, alegadamente devido às suas posições políticas. No entanto, em 2014, ao receber outro prémio, o Ibsen Internacional, os protestos em Oslo foram bem visíveis. Decerto que a cerimónia de entrega do Nobel em dezembro irá contar com vários protestos públicos contra Handke e o seu episódio Miloševic.
Numa entrevista à agência Lusa em 2009, Peter Handke confirmava o que hoje o Nobel ratificou: "A literatura tem sido toda a minha vida", mas interrogava-se "sobre se a literatura me tornou uma pessoa melhor... Um pouco melhor, não muito, mas um bocadinho. É suficiente, talvez". Referiu que "qualquer autor que escreva um livro, mesmo um livro pequeno, mesmo uma só página que nos abra o mundo, é um bom escritor". Sobre literatura portuguesa, Handke mencionou Fernando Pessoa, no entanto tentou ler Saramago e Lobo Antunes mas não foi capaz de acabar: "Saramago parece-me muito inteligente, demasiado inteligente para mim." Quanto a prémios disse: "Eu não sou uma boa pessoa para prémios, gosto de prémios para os outros, disso gosto. Mas sinto-me muito estranho, não é bom para mim. Eu gosto quando um leitor me escreve uma carta. Esse é que é o meu tipo de recompensa".  

Guarda-costas para proteger Olga Tokarczuk
As posições políticas fortes também existem em Olga Tokarczuk e numa entrevista no ano passado a escritora afirmou que "fui muito ingénua ao pensar que a Polónia era capaz de debater as zonas escuras da nossa História". Daí que ao regressar à Polónia após ter recebido o prémio literário Man Booker, ao regressar a casa, tenha tido vários guarda-costas a tomar conta de si. Tokarczuk é considerada uma das mais destacadas escritoras do seu país e é rotulada de "feminista vegetariana" que se insurge contra "um país reacionário e patriarcal".
O registo literário de Tokarczuk não é fácil mas a sua Polónia está sempre muito presente, misturando o passado com o presente numa tentativa de reinterpretar ambos. Em Viagens, o seu sexto romance, a autora reúne vários géneros - história, ficção, memórias, ensaio, entre outros -, definindo o livro como "um romance constelação". Tão difícil à primeira tentativa que a sua própria editora polaca a chamou após a entrega do original para confirmar se não teria trocado os arquivos por considerar que não era um romance.
Nascida em Sulechów em 1962, é formada em Psicologia. Publicou o primeiro livro em 1989, uma coletânea de poesia. Tem cerca de duas dezenas de títulos publicados, traduzidos em 30 línguas e é uma autora premiada.  

Academia em fase de recuperação
Os novos vencedores entram na galeria do Nobel da Literatura após um escândalo de assédio sexual e de corrupção que abalou a Academia Sueca em 2017 e fez com que o anúncio da edição de 2018 tivesse sido anulado por não estarem reunidas as condições no júri e também devido à sua descredibilização.
Kazuo Ishiguro foi o último autor a ser galardoado em outubro de 2017, momento após o qual Jean-Claude Arnault, marido da poeta Katarina Frostenson, membro do júri, foi acusado - e entretanto preso - de revelar os nomes de alguns vencedores e de ter assediado 18 mulheres, entre as quais a própria responsável pelo comité do Nobel da Literatura, Sara Danius.
2018 foi um dos piores anos para a Academia Sueca, fundada há mais de dois séculos, envolvendo a instituição num escândalo que interrompeu a concessão do prémio como poucas vezes tinha acontecido nos 118 anos de existência do Nobel da Literatura, designadamente durante as guerras mundiais.
A credibilidade da Academia Sueca foi a principal preocupação do Rei Gustavo, patrono da instituição, e o o novo responsável pelo comité de Literatura, Anders Olsson, garantiu que esta categoria surgiria este ano de forma mais aberta às escritoras e à geografia das literaturas contrariando, respetivamente, a quantidade de prémios concedidos a escritores homens e muito centrada na Europa. Afinal, entre os 110 premiados só catorze eram do sexo feminino. 

• PRÉMIO NOBEL DA QUÍMICA
John B. Goodenough, M. Stanley Whittingham e Akira Yoshino

O prémio Nobel da Química 2019 vai para um mundo recarregável", resumiu esta quarta-feira a Academia sueca, confirmando assim como vencedora uma das áreas que era uma das favoritas para o Nobel da Química este ano: o desenvolvimento das baterias de iões de lítio, que contêm a promessa de um mundo energeticamente mais verde.
Este é um piscar de olhos à nova era das energias renováveis e aos veículos elétricos que deverão em breve inundar o mercado, e também a confirmação de que o problema das alterações climáticas continua vivo, no topo da agenda internacional.
O anglo-americano Stanley Whittingham, de 78 anos, e antigo professor e investigador das universidades de Binghamton e do Estado de Nova Iorque, foi quem lançou o caminho nesta direção quando, nos anos de 1970, em plena crise do petróleo, se propôs desenvolver uma nova estratégia tecnológica que permitisse contornar a utilização dos combustíveis fósseis para produzir energia.
Whittingham virou-se então para materiais supercondutores e usou pela primeira vez uma bateria de lítiio, com elétrodos de novos materiais à base de titânio.
Na década seguinte, o norte-americano John Goodenough, da Universidade do Texas, hoje com 97 anos, demonstrou que o uso de elétrodos de um óxido de metal nesse tipo de bateria seria mais eficiente para a produção de energia.
Com base nessas investigações pioneiras dos dois americanos, o japonês Akira Yoshino, de 71 anos, professor e investigador da Universidade de Meijo, deu o passo seguinte e criou, em 1985, a primeira bateria de lítio comercializável, com iões de lítio, que era leve e que podia ser carregada inúmeras vezes sem se deteriorar.
Yoshino retirou das baterias o lítio puro, deixando iões de lítio, que são mais seguros. A comercialização deste tipo de baterias tornou-se realidade a partir de 1991.
"As baterias de iões de lítio revolucionaram as nossas vidas e são hoje usadas em tudo, desde telemóveis a computadores portáteis e veículos elétricos. Através do seu trabalho, os laureados deste ano em Química construíram os alicerces de uma sociedade sem fios e livre de combustíveis fósseis", justificou a Academia sueca. 

• PRÉMIO NOBEL DA FÍSICA
James Peebles, Michel Mayor e Didier Queloz 

O norte-americano James Peebles, professor e investigador das universidades de Manitoba e de Princeton, desenvolveu trabalho pioneiro em cosmologia, na área da radiação cósmica de fundo. Os suíços Michel Mayor e Didier Queloz são distinguidos pelos seus trabalhos que levaram à descoberta do primeiro exoplaneta em 1995. Três premiados que eram há muito credores do Nobel.
James Peebles, de 84 anos, foi pioneiro na investigação sobre a radiação cósmica de fundo, aquela "luz fóssil" que vem dos primórdios do universo.
Foi o seu trabalho teórico, que desenvolveu e aprofundou a partir da década de 1960, que forneceu a base sólida que permitiu fazer as investigações e observações que desembocaram nos primeiros "retratos" da radiação cósmica de fundo.
Michel Mayor, de 77 anos, da Universidade de Genebra, e Didier Queloz, 53, professor e investigador na mesma universidade e também na de Cambridge, no Reino Unido, foram, por seu turno, os pioneiros na descoberta de exoplanetas, quando descobriram o primeiro, em outubro de 1995: um planeta em órbita da estrela 51 Pegasi.
Com isso, abriram a porta a todo um novo ramo da astrofísica que se cifra hoje na descoberta de mais de quatro mil destes planetas na órbita de estrelas distantes na Via Láctea.
Em 2018 foram também descobertos os primeiros exoplanetas fora da nossa galáxia, um passo mais na demanda de outros mundos no universo.

"Uma nova compreensão do universo"
"O Prémio Nobel deste ano distingue uma nova compreensão da estrutura do universo e da sua história, e a primeira descoberta de um planeta na órbita de uma estrela do tipo solar e fora do nosso sistema solar", justificou a Academia sueca no anúncio da sua escolha.
Em comunicado divulgado após o anúncio da Academia sueca, a Universidade de Genebra afirma que Mayor e Queloz reagiram ao prémio dizendo que a sua descoberta "é a mais importante" da sua carreira e que receber o Nobel por ela "é simplesmente extraordinário".
Os dois astrofísicos lembram que quando anunciaram a descoberta, há 24 anos, "ninguém sabia se os exoplanetas existiam ou não", porque muitos "astrónomos ilustres os procuravam há anos, sem sucesso".
Mayor e Queloz romperam com essa impossibilidade. A descoberta do primeiro exoplaneta foi um marco revolucionário para a astrofísica, sublinha o comité Nobel, explicando que "estranhos novos mundos continuam a ser descobertos, com uma incrível diversidade de tamanhos, formas e órbitas", o que desafia "as nossas ideias preconcebidas sobre os sistemas planetários" e está a "obrigar os cientistas a rever as suas teorias sobre os processos físicos que estão na origem da formação dos planetas".
Os laureados deste ano "transformaram as nossas ideias sobre o cosmos", resume o comité Nobel. "Enquanto as descobertas teóricas de James Peebles contribuíram para a nossa compreensão de como o universo evoluiu depois do Big Bang, as de Michel Mayor e Didier Queloz permitiram explorar a nossa vizinhança cósmica, em busca de planetas desconhecidos", e com isso "mudaram para sempre a nossas conceções do mundo", justificou a Academia sueca.

• PRÉMIO NOBEL DA MEDICINA
William G. Kaelin Jr, Sir Peter J. Ratcliffe e Gregg L. Semenza 

A Medicina abriu a temporada Nobel 2019 e distinguiu William G. Kaelin, Gregg Semenza e Peter Ratcliffe pelas suas descobertas sobre os mecanismos celulares relacionados com o oxigénio.
Os trabalhos de William G. Kaelin, Gregg Semenza e Peter Ratcliffe, que permitiram desvendar o mecanismo celular fundamental que permite às células adaptar-se à disponibilidade de oxigénio no ambiente valeram-lhes este ano o prémio Nobel da Medicina, anunciado esta segunda-feira pela Academia de Ciências sueca.
"Este é um dos mecanismos críticos dos organismos para a adaptação à vida", explica a academia sueca.
"A importância fundamental do oxigénio para a vida é conhecida há século, mas a forma como as células se adaptam aos níveis de oxigénio disponíveis era desconhecida", afirma o júri do prémio, sublinhando que "este mecanismo é central numa série de doenças", lançando assim as bases para "novas e promissoras estratégias para combater patologias como a anemia, o cancro e muitas outras doenças".
William G. Kaelin, Gregg Semenza e Peter Ratcliffe, sublinha o comité Nobel, "identificaram a maquinaria celular que regula a atividade dos genes em resposta aos níveis variáveis de oxigénio".
Num Twitter publicado pelo comité Nobel, o britânico Peter Ratcliffe mostra-se radiante no início de um novo dia de trabalho, o primeiro já com a distinção Nobel.

Um mecanismo celular básico
Em resposta a uma situação de níveis baixos de oxigénio - o organismo entra em hipoxia - são desencadeados mecanismos fisiológicos de adaptação, em que se dá o aumento dos níveis de uma hormona chamada eritropoetina, ou EPO, que por sua vez induz o aumento da produção de glóbulos vermelhos no sangue.
A importância deste mecanismo já era conhecida desde o princípio do século XX, mas a forma como este processo era controlado permanecia um mistério, explica o comité Nobel.
O americano Gregg Semenza, que é professor e investigador na Universidade de John Hopkins, nos Estados Unidos, estudou o gene EPO e a forma como ele é regulado pelos níveis de oxigénio variáveis. Utilizou ratinhos geneticamente modificados e descobriu que há sequências genéticas específicas que regulam a resposta celular em situação de hipoxia.
O britânico Peter Rattcliffe, professor e investigador na Universidade de Oxford, no Reino Unido, estudou também aquele mecanismo genético e chegou também a resultados idênticos. Os grupos liderados pelos dois cientistas descobriram independentemente que este mecanismo celular relacionado com a regulação do oxigénio está presente em todos os tecidos do organismo, e não apenas nas células dos rins, onde a EPO é normalmente produzida.
Gregg Semenza descobriu ainda que sequências genéticas, ou seja que genes, estão associados a este mecanismo de regulação do oxigénio celular. Faltava apenas identificar um último gene relacionado com todo este processo e essa última peça do puzzle chegou pela mão de William Kaelin, professor e investigador na Universidade de Harvard.
Na mesma altura em que Gregg Semenza e Peter Rattcliffe estavam a fazer o seu trabalho pioneiro sobre este mecanismo celular, o americano William Kaelin estava a estudar uma doença chamada Hippel-Lindau, causada por uma mutação genética, e cujos portadores têm um elevado risco de desenvolver determinados tipos de cancro.
William Kaelin descobriu que o gene relacionado com essa doença, dedignado VHL, codifica uma proteína que inibe o desenvolvimento do cancro e mostrou que as células que não contêm o VHL exibem um estado crónico de baixos níveis de oxigénio.
Na prova dos nove, ao reintroduzir o VHL nessas células, William Kaelin mostrou que elas recuperavam o normal controlo dos níveis de oxigénio, ficando assim demonstrada a participação desse gene no complexo mecanismo de regulação dos níveis de oxigénio nos tecidos celulares.

Novas estratégias para algumas patologias
A Academia sueca destaca a importância das descobertas dos três cientistas para o conhecimento de um processo celular e fisiológico básico à vida.
Este mecanismo, sublinha o comité Nobel, "permite às células adaptarem-se o seu metabolismo a condições ambientais de baixos níveis de oxigénio", como acontece por exemplo nos tecidos musculares durante o exercício físico intenso. Outros exemplos, destaca, são as situações de produção de novos vasos sanguíneos ou de glóbulos vermelhos.
Uma série de patologias estão também relacionadas com este mecanismo, como é o caso da anemia, sendo que é central também em doenças como o cancro, pelo que a sua compreensão permite novas estratégias para tentar combatê-las, destaca ainda o comité Nobel.

Dois americanos e um britânico
Nascido em 1957 em Nova Iorque, William Kaelin, é professor e investigador da Harvard Medical School, em Boston, Estados Unidos. Formou-se em matemática e bioquímica na Universidade de Duke e enveredou por uma carreira de investigação sobre os mecanismos moleculares e celulares na área do cancro.
O prémio Nobel da Medicina culmina uma série de prémios anteriores, entre os quais se destacam, em 2016, o Albert Lasker Award for Basic Medical Research, atribuído pela Fundação Lasker, que distingue contributos pioneiros na área da investigação médica, ou o Wiley Prize in Biomedical Sciences, em 2014. No ano passado, foi também galardoado com o prémio Massry, atribuído pela Fundação Meira and Shaul G. Massry, que distingue contributos inovadores na área da investigação médica.
O britânico Peter Ratcliffe nasceu em 1954, em Lancashire. Formou-se em medicina na Universidade de Cambridge, e mudou-se para Oxford, onde se mantém ainda hoje, para se dedicar ao estudo dos mecanismos relacionados com a regulação do oxigénio a nível renal.
Antes do Nobel, que recebe este ano, Ratcliffe foi distinguido com uma série de importantes prémios internacionais, entre os quais se incluem igualmente o Albert Lasker Award for Basic Medical Research (2016) e o Massry (2018), para além de outros, como a medalha Buchanan, que lhe foi atribuída em 2017 pela Royal Society.
Gregg Semenza, que nasceu em 1956, em Nova Iorque, médico especialista em química médica e oncologia, formou-se na Universidade da Pensilvânia e é professor e investigador na Universidade Johm Hopkins. Tem igualmente uma carreira recheada de prémios, entre os quais o Lasker, em 2016, o prémio Wiley, em 2014, ou aida o Scientific Grand Prize da da prestigiada fundação Lefoulon-Delalande.

Fonte: Diário de Notícias  

 


 

Os prémios serão entregues dia 10 de dezembro, 
data da morte do fundador do prémio, Alfred Nobel, em 1896.

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