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Exposição "Olhar para Dentro" reúne 60 anos da obra gráfica de Paula Rego

Cerca de 200 peças podem ser apreciadas pelo público até 17 de novembro, na Casa das Histórias Paula Rego.

Foto: DR


A exposição "Olhar para Dentro", que reúne 60 anos de produção de obra gráfica de Paula Rego, com cerca de 200 peças, incluindo doações da artista, será inaugurada na quinta-feira, na Casa das Histórias, em Cascais.

De acordo com a Fundação D. Luís I, que organiza a mostra com a Câmara de Cascais, no âmbito da programação do "Bairro dos Museus", a exposição é inaugurada no dia 11 de julho, às 18h30, e ficará patente até 17 de novembro, na Casa das Histórias Paula Rego.

Com curadoria de Catarina Alfaro, a exposição apresentará também desenhos preparatórios para a execução das gravuras, chapas de cobre e trabalhos mais recentes e menos conhecidos.

"Olhar para Dentro" inclui doações da artista, que decidiu completar a coleção da sua obra gráfica pertencente à Câmara Municipal de Cascais, à Fundação D. Luís I e à Casa das Histórias Paula Rego.

"Com toda a sua força e liberdade criativas, Paula Rego carrega estes trabalhos de uma forte componente emocional e de crítica social, ao abordar temas como o aborto ou a mutilação genital feminina. A artista recorre a imagens irreais e de terror, remetendo para o mais horrível e monstruoso cenário humano", descreve o texto sobre a exposição divulgado pela fundação.

Uma outra dimensão da sua obra, "a da fantasia, é também revelada através da presença de seres fantásticos e da transfiguração dos humanos noutros seres animais, um universo que Paula Rego observou nos trabalhos de Francisco de Goya, uma das suas grandes influências, por isso também representado nesta exposição", com duas gravuras provenientes da coleção particular da pintora, acrescenta a mesma fonte.

Entre outras temáticas, a exposição revela ainda o gosto de Paula Rego pelo universo da literatura tradicional infantil, através de um conjunto de gravuras inspirado em cantigas e rimas de berço inglesas, que a artista conhece desde a infância, aquando da sua educação no colégio inglês St. Julian's School, em Carcavelos.

"Fazer desenhos desta maneira não é como desenhar só por desenhar o que se vê, pelo prazer de observar o modelo ou de fazer o desenho; desenhar algo como isto é mais como criar uma história em termos visuais. E também é um mundo em que vais penetrar: se tens uma pequena chapa de gravura e estás a desenhar nela, o mundo que estás a criar vai da tua cabeça para a chapa; não é olhar para fora, é olhar para dentro; talvez seja, de facto, como escrever", acrescenta o comunicado citando a artista Paula Rego.

A par da exposição, abre ao público a terceira edição da oficina de gravura na Casa das Histórias, com ateliês, sessões abertas, visitas e um curso intensivo, atividades dirigidas ao público em geral que exploram diversas técnicas usadas por Paula Rego, na criação da sua obra gráfica.

Na sexta-feira, o Ministério da Cultura anunciou que irá distinguir a pintora Paula Rego, de 84 anos, com a Medalha de Mérito Cultural, a 16 de julho, no atelier da artista, em Londres.

De acordo com uma nota de imprensa divulgada pela tutela, a ministra da Cultura, Graça Fonseca, justificou a atribuição por Paula Rego ser "uma artista extraordinária, que sempre procurou transformar a realidade através da arte".

"E é mulher e portuguesa. Portugal tem um imenso orgulho em poder afirmá-lo. Por isso, decidiu o Governo português reconhecê-lo publicamente através da atribuição da Medalha de Mérito Cultural", justifica a tutela.

O ministério recordava ainda que a inauguração, em 2009, da Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais, "permitiu o acesso mais alargado de públicos não só à sua obra, mas também à vida excecional da artista".

Nascida em Lisboa, Paula Rego, que completou 84 anos em janeiro deste ano, começou a desenhar ainda em criança, e partiu para a capital britânica com apenas 17 anos, para estudar na Slade School of Fine Art.

Em Londres conheceu o marido, o artista inglês Victor Willing, falecido em 1988, cuja obra Paula Rego já mostrou por várias vezes no museu Casa das Histórias, em Cascais, que detém um importante acervo de obras da autora.

Nas últimas décadas, a pintora tem abordado temas políticos, como o abuso de poder, e sociais, como o aborto, entre outros do universo feminino.

Em 2010, foi nomeada Dame Commander of The Order of the British Empire pela Coroa Britânica, pela sua contribuição para as artes. Em 2016 recebeu a medalha de honra da cidade de Lisboa.

Paula Rego está representada em várias das mais importantes coleções públicas europeias e em prestigiadas exposições em museus e em espaços expositivos de todo o mundo.

Na sua deslocação a Londres, entre os dias 16 e 17 de julho, a ministra da Cultura irá entregar a distinção a Paula Rego e visitará também a exposição da pintora "Obedience and Defiance", na Milton Keynes Gallery, patente até ao dia 22 de setembro.


por Lusa e Renascença | 9 de julho de 2019
Notícia no âmbito da parceria Centro Nacional de Cultura | Rádio Renascença

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