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Expo Ibero-Americana de Música põe Setúbal em festa durante três dias

Concertos de acesso livre, conferências, palestras: Setúbal acolhe pela primeira vez a Expo Ibero-Americana de Música, a EXIB, que já vai na quinta edição. Na abertura, esta quarta-feira à noite, estreia-se um novo grupo português: a Companhia de Canto Popular.

Companhia de Canto Popular. À frente: Manuel Tentúgal, Sara Vidal, José Barros e Rui Costa. Atrás: André Sousa Machado, José Manuel David, Rui Vaz, Artur Fernandes e Manuel Rocha [Foto: DR]

 

À quinta edição, a Expo Ibero-Americana de Música escolheu Setúbal como palco. Misto de festival e feira destinada a profissionais do sector, apresenta 21 concertos (de acesso livre) com cerca de uma centena de músicos vindos de mais de 30 países, além de conferências, encontros e palestras, sempre com a música como pólo de atracção. José Afonso, que viveu no distrito de Setúbal (1929-1987), e Mercedes Sosa (1935-2009) são os grandes homenageados desta edição, a EXIB Música Setúbal 2019, onde serão também distinguidos o pianista e compositor Manuel Obregón, da Costa Rica, bem como o pianista, produtor e compositor brasileiro Benjamim Taubkin.

“Escolhemos Setúbal por referência de diferentes pessoas e a ideia foi muito bem recebida”, diz ao PÚBLICO Adriana Pedret, gestora cultural espanhola e directora executiva da EXIB. E não se arrependeram. “A localização geográfica é maravilhosa, tal como a proximidade de Lisboa, onde chegam os voos internacionais. Além de que a cidade é muito bonita e tem todas as estruturas necessárias para receber todas as apresentações, os diferentes concertos, tudo o que está previsto na nossa agenda. Estamos muito contentes com Setúbal e teremos uma quinta edição muito especial.”

A escolha dos homenageados é justificada assim por Adriana Pedret: “José Afonso e Mercedes Sosa são duas referências muito importantes para a música ibero-americana e pareceu-nos que eram duas personalidades que poderiam conviver muito bem. E é bem significativo que para a entrega o primeiro Prémio EXIB para a música ibero-americana [que se estreia nesta edição] possamos celebrar figuras deste relevo.”

Já os prémios atribuídos a Manuel Obregón (57 anos) e Benjamim Taubkin (62 anos) têm que ver, no caso do primeiro, com “o reconhecimento da diversidade, com o seu trabalho de unir linguagens e sons ibero-americanos através dos seus projectos”; e, no caso do segundo, que receberá a Menção Especial Compromisso, com o facto de ser “um curioso incansável acerca dos destinos musicais nos espaços da linguagem, uma pessoa que unifica e tem sido muito importante para muitos outros artistas.”

Há ainda outros dois prémios, nesta edição: o Prémio Impulso, distinguindo o melhor entre os participantes do festival, e o Prémio Artista do Ano, para um artista que se tenha destacado no biénio 2018-2019. Estes dois prémios são atribuídos pela Red de Periodistas Musicales de Iberoamérica e vão ser entregues dia 15, sábado, às 20h30.

A estreia de um grupo

O essencial do festival concentra-se em três dias (quinta, sexta e sábado) mas antes há uma gala de abertura com a estreia de um novo grupo, a Companhia de Canto Popular (CCP), constituído por músicos de formações distintas. José Barros, do grupo Navegante e fundador e membro da CCP, conta ao PÚBLICO como ela surgiu: “No ano passado, em Itália, em conversa com o Riccardo Tesi, que é um dos grandes concertistas do mundo, ele disse-me que tinha feito um projecto chamada Bella Ciao com gente de vários grupos [Lucilla Galeazzi, Elena Ledda, Ginevra di Marco, Gigi Biolcati, Andrea Salvadori, Alessio Lega].” No regresso a Portugal, ele veio a pensar como poderia fazer aqui um projecto idêntico. E juntou logo, de cabeça, alguns nomes, a começar por José Manuel David e Rui Vaz, que ainda não há muito tempo deixaram os Gaiteiros de Lisboa. Viriam depois Manuel Tentúgal (Vai de Roda), Artur Fernandes (Danças Ocultas), Manuel Rocha (Brigada Victor Jara), Rui Costa (Silence 4), Sara Vidal (Luar na Llubre e Diabo a Sete) e André Sousa Machado, que foi baterista na Orquestra de Jazz do Hot Clube e em vários processos musicais.

Assim se formou a Companhia de Canto Popular, que, após uma apresentação há poucos dias em Serpa (onde, durante uma residência artística no Musibéria, gravaram um disco que deve ser lançado em Setembro), abrirá agora o EXIB Música Setúbal 2019 com um concerto na gala de abertura, no Fórum Municipal Luísa Todi, às 21h. Com temas originais e versões, como explica José Barros: “Fizemos uma versão um bocado louca da Gitana, com um arranjo do José Manuel David. E eu fiz um tema novo que se chama Cantar de guardador. A letra é do José Afonso e o guardador neste caso era o Salazar. Ele escreveu-a no final dos anos 1960, não a musicou, mas usou partes da letra noutros temas que compôs e gravou, como Venham mais cinco.”

Os concertos, hora a hora

Finda a gala de abertura, a maioria dos concertos concentra-se na quinta e na sexta. Dia 13, no Palco do Coreto da Avenida Luísa Todi, estarão os Marafona (Portugal), às 13h30, seguindo-se os Músicas Afortunadas (Canárias), no Palco da Casa da Baía, às 17h. Depois, sempre no Palco Praça do Bocage, ouvir-se-ão Segue-me à Capela (Portugal), 18h; Caña Dulce Caña Brava (México), às 19h; Anna Ferrer (Menorca), às 20h; Trio Ventana (Uruguai), às 21h; Juanjo Corbalán (Paraguai), às 22h; Seiva (Portugal), às 23h; e Betsayda Machado e Parranda El Clavo (Venezuela), às 00h.

Dia 14, no Palco Casa da Baía, estarão Maria João Fura (Portugal), às 17h, e Magano (Portugal), às 18h. Depois, a festa segue no Palco Praça do Bocage, com Carolina Araoz (Peru), 18h30; Pulsos del Vento (Argentina), 19h30; Nahuel Jofré (Argentina), 20h30; Xosé Lois Romero e Aliboria (Galiza), 21h30; Cuarteto Karé (Argentina), 22h30; Ana Prada (Uruguai), 23h30; e Susana Travassos (Portugal), às 00h.

Dia 15, antes da gala dos prémios (20h30, no Fórum Municipal Luísa Todi), haverá três concertos, todos eles de grupos portugueses: Zanguizarra, no Palco do Coreto da Avenida Luísa Todi, às 13h30; e, no Palco Praça do Bocage, a Banda da Catraia (17h30) e depois os Diabo a Sete (18h30).

 


por Nuno Pacheco, in Público | 12 de junho de 2019
Notícia no âmbito da parceria Centro Nacional de Cultura | Jornal Público

 

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