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Morreu Bibi Andersson, uma das musas de Ingmar Bergman

Persona, O Sétimo Selo e Morangos Silvestres são alguns filmes que marcam o percurso da atriz sueca.


Para qualquer um, o seu nome é indissociável do cinema de Ingmar Bergman. A atriz Bibi Andersson morreu neste domingo aos 83 anos, segundo notícia avançada pelo jornal sueco Göteborgs-Posten. Era - ao lado de Liv Ullmann, Harriet Andersson e Ingrid Thulin - uma das musas do cineasta sueco, tendo na personagem da enfermeira Alma, em 
Persona (1966), o seu mais emblemático papel. Este, um filme que nasceu da semelhança do rosto de Ullmann com o de Andersson, e cuja rodagem foi um verão passado na ilha de Farö (onde Bergman encontrou posteriormente morada): "passávamos os dias sentadas, estudando os nossos scripts, e exibíamos uma felicidade particular jamais vista no filme.", relata Ullmann no seu livro de memórias Mutações.

Foi justamente Bergman que a fez transitar da televisão para o teatro, e só depois para o grande ecrã: ele dirigia anúncios publicitários, na altura, e ela, com 15 anos, dava os primeiros passos na carreira. Formada pela Academia de Teatro de Estocolmo (Dramaten), integrou durante décadas a chamada "família" de atores do realizador, todos eles oriundos da escola teatral.

A comédia Sorrisos de Uma Noite de Verão (1955), O Sétimo Selo (1957), a hilariante e mal-amada fantasia O Olho do Diabo (1960) e Paixão (1969) são alguns dos títulos onde a descobrimos num registo entre uma inocência de olho vivo e uma expressão pungente.

Em Morangos Silvestres (1957) - Urso de Ouro no Festival de Berlim -, filme-sonho em que vemos o veterano mestre do cinema sueca Victor Sjöstrom numa jornada existencial, ela é, a seu lado, a própria personificação do passado e da juventude.Passou também por Hollywood, onde trabalhou com John Huston (A Carta do Kremlin) e Robert Altman (Quinteto), mas o teatro continuou a ser a sua casa.

Nascida a 11 de novembro de 1935, em Estocolmo, Bibi Andersson foi vítima de um AVC em 2009, que a obrigou a viver numa residência assistida, sempre em Estocolmo, e, consequentemente, a distanciar-se da vida pública.


por Inês N. Lourenço in Diário de Notícias | 14 de abril de 2019
Notícia no âmbito da parceria Centro Nacional de Cultura | Diário de Notícias
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