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Idanha-a-Velha e Monsanto: As Aldeias Museu

Descobrir as Aldeias Museu do concelho de Idanha-a-Nova são desafios que permitem aos visitantes experiências absolutamente peculiares e imperdíveis. Do património, à arquitetura, passando pela natureza, a riqueza do território é o melhor e mais cativante acervo destes “museus a céu aberto”.

Pelourinho, Idanha-a-Velha Porta Sul, Idanha-a-Velha
Verdadeiros museus ao ar livre que se afiguram como paragem obrigatória para todos os que façam a rota museológica da região. O rico património arqueológico e arquitetónico conquista o visitante e é garantia de uma visita que não deixa ninguém indiferente. Está-se, obviamente, a falar das Aldeias Históricas de Idanha-a-Velha e Monsanto, no concelho de Idanha-a-Nova que, sem se confinarem a um espaço fechado, são ainda assim espaços museus.

Alvo de investimentos consideráveis, estas localidades são talvez um dos elementos mais significativos do projeto da rede museológica que a Câmara Municipal de Idanha-a-Nova tem estado a desenvolver ao longo dos anos e que, como explica Paulo Longo, vai muito para além da simples criação de um museu ou do aproveitamento específico de um único ponto de interesse. “O objetivo do programa é sempre o de explicar o território e valorizar não só o património edificado como também o património imaterial. Nenhum dos espaços é concebido sem ter em conta o registo ideográfico e os elementos recolhidos junto e com a envolvência da população”, especifica o responsável cultural.

A filosofia do projeto caiu que nem uma luva em Monsanto e Idanha-a-Velha, onde a intervenção foi feita à escala de toda a aldeia.

Ali, a cada passo há uma história para descobrir ou um monumento para conhecer.

Conhecida como a “aldeia mais portuguesa de Portugal”, Monsanto é um ícone turístico que atrai milhares de visitantes. Do património edificado, destaca-se o castelo, construído pelos Templários, a Cisterna, as Capelas de Santa Maria e de S. Miguel e os vestígios de todo o povoado primitivo ao redor. Sobranceira ao aglomerado, hoje em ruínas, ergue-se a Torre do Pião. A utilização do granito nas construções confere ao conjunto uma grande uniformidade entre o natural e o edificado. Este equilíbrio é, ainda, mais evidente quando os acidentes graní ticos dão origem a curiosas utilizações de grutas e penedos integralmente convertidos em peças de construção. Um mundo onde se descobrirá ainda a Igreja Matriz, o forno da aldeia, as Capelas do Espírito Santo e de Santo António e a Torre Sineira ou de Lucano encimada pelo galo de prata, imagem de marca da portugalidade de um outro tempo. No topo da aldeia, o castelo, de onde se avista a próxima paragem... Idanha-a-Velha.

Aqui, da Sé Catedral (construída entre os século IV e V, e alvo de muitas intervenções desde então), à Muralha Romana (construída entre o século II e o início do século IV d.C.), ao Pelourinho, passando pela Torre dos Templários (século XII) e pela Casa de Marrocos tudo demonstra a grandiosidade da Idanha de outros tempos e também dos idanhenses de hoje, que, com intervenções cuidadas e patrimonialmente ricas, conseguiram alcançar uma perfeita simbiose entre o passado e a atualidade. E, os que se quiserem deixar encantar por este “Museu ao ar livre”, terão ainda oportunidade de passar no Lagar das Varas (considerado excecional por Benjamim Pereira pelo cuidado posto da construção) e no seu logradouro e ser, uma vez mais surpreendido, pelo moderno pavilhão epigráfico. Construído em vidro e ferro, esta estrutura em forma de espigueiro guarda uma parte da coleção epigráfica local, uma das maiores e mais representativas coleções de epígrafes do país.

Monsanto e Idanha-a-Velha são dois exemplos de como o património construído é atração turística.

"O objetivo é sempre o de explicar o território e valorizar o património edificado e património imaterial"
Paulo Longo
 

Autor: Catarina Canotilho
Fotografias: Câmara Municipal de Idanha-a-Nova
in "Museus, espaços de memória", revista integrante da edição do Jornal do Fundão do dia 6 de dezembro de 2012
 
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