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Uma Peça | Um Museu

Retrato de D. Isabel de Moura

Efígie pintada por Domingos Vieira, o Escuro, de D. Isabel de Moura, filha de D. Cristóvão de Almada.

Uma peça do Museu Nacional de Arte Antiga


Retrato de D. Isabel de Moura
Domingos Vieira, o Escuro
Óleo sobre tela
c. 1635
Compra, 1914
Inv. 1545 Pint

Este é um dos poucos retratos portugueses da coleção de pintura do Museu Nacional de Arte Antiga de que se conhece o pintor e o retratado. Trata-se da efígie pintada por Domingos Vieira, o Escuro, de D. Isabel de Moura (ou Melo?), filha de D. Cristóvão de Almada, casada com Lopo Furtado de Mendonça, cujo retrato pelo mesmo autor também se conserva no museu. D. Cristóvão de Almada parece ter querido eternizar toda a sua geração numa galeria familiar que deveria expor-se no seu palácio à Boavista. Conhecem-se, pelo menos, mais dois retratos de filhas de D. Cristóvão de Almada, pintados pelo mesmo Vieira, o Escuro: um representando D. Margarida de Melo, que também se guarda no MNAA, e outro, numa coleção particular, o de D. Filipa de Melo.

Este orgulhoso Cristóvão de Almada, senhor de Carvalhais, que quis perpetuar a imagem de toda a sua prole, era neto de Rui Fernandes de Almada, mecenas do renascimento português, que tem para o MNAA a mais particular importância: foi ele que trouxe para Portugal, no regresso da sua missão na feitoria portuguesa de Antuérpia, o São Jerónimo de Albrecht Dürer, peça-chave na coleção de pintura do museu.

O agrupamento e identificação dos retratos executados por Domingos Vieira, o Escuro, foi feito com base na assinatura e cronograma do retrato de Lopo Furtado de Mendonça. Aliás, a leitura desta assinatura provocou diversos equívocos. Numa primeira leitura, errada, da assinatura, foi identificado o pintor como sendo Domingos Barbosa. Mais tarde, quando se procedeu à correta leitura da assinatura – Domingos Vieira –, ainda se confundiu com Domingos Vieira Serrão, pintor régio de Filipe II, cuja obra, no entanto, não é confundível com a do “Escuro”.

Os retratos conhecidos de Domingos Vieira, o Escuro, usam sempre o mesmo figurino: sobre fundo escuro e trajando vestes igualmente neutras, destacando-se o rosto das figuras; as mulheres aureoladas por coifas brancas pintadas com vibrantes pinceladas onde alguns autores viram já uma antevisão da pintura de Goya.

O facto do retrato de D. Isabel de Moura ser, na verdade, um fragmento de uma pintura de que se conservou intacta toda a zona do rosto, isolando a cabeça do seu contexto, torna a fisionomia do rosto muito mais poderosa pois concentra toda a nossa atenção “na força e expressão do olhar da representada”.

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