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Uma Peça | Um Museu

Deposição de Cristo no Túmulo

A obra associa um vibrante tratamento pictórico a um sentido monumental do espaço, apesar do pequeno formato, e interpreta a dramaticidade do tema com uma profundidade inusitada.

Uma peça do Museu Nacional de Arte Antiga.


Deposição de Cristo no Túmulo

Giambattista Tiepolo (Veneza, 1696 - Madrid, 1770)
1767-1770
Óleo sobre tela
57 x 43,7 cm
Aquisição na Leiria & Nascimento, 2008
Inv. 2185 Pint

A Deposição de Cristo no Túmulo, aquisição do Estado para as coleções do Museu Nacional de Arte Antiga, junta-se a outras duas obras de Giambattista Tiepolo na coleção de pintura deste Museu: Triunfo das Artes, estudo para uma composição a fresco executada em 1731 num dos tetos do Palácio Archinto, em Milão, e Fuga para o Egito, obra de idêntico formato da Deposição e datável do mesmo período (1767-70).

A Deposição e a Fuga pertenceram à coleção de Eduardo Pinto Basto, que incluía outras pinturas de Tiepolo: Vénus e o Tempo (46 x 57 cm); Triunfo de Anfitrite (41 x 60 cm), hoje na Walpole Gallery de Londres; e Repouso na Fuga para o Egito (55,5 x 41,5 cm), atualmente incorporada nas coleções da Staatsgalerie de Estugarda.

Em março de 1762, Tiepolo partiu para Madrid a convite de Carlos III de Espanha, encarregando-se da decoração a fresco do grande teto da Sala do Trono no Palácio Real e de outros programas congéneres na mesma residência. Terminada a empreitada em 1765, o mestre veneziano executaria em seguida uma outra encomenda régia, sete grandes pinturas de altar para a Igreja de S. Pascoal Bailão em Aranjuez. Muito provavelmente na sequência deste conjunto de trabalhos, e talvez como resultado de encomendas de caráter privado no âmbito da corte espanhola, Tiepolo elaboraria vários estudos a óleo com temas religiosos, nomeadamente uma série de 4 composições ligadas à iconografia do episódio da Fuga para o Egito e dois modelli com cenas da Paixão de Cristo. A Deposição no Túmulo agora do MNAA pertence a este último grupo.

A obra associa um vibrante tratamento pictórico a um sentido monumental do espaço, apesar do pequeno formato, e interpreta a dramaticidade do tema com uma profundidade inusitada. Intérprete da mais eloquente arte barroca, Tiepolo é mais conhecido pela pintura em grande escala, célebre pela capacidade de impressionar o observador com a extrema “bravura” das suas composições decorativas; mas o que surge de mais notável nas suas derradeiras pinturas religiosas do período espanhol, como sucede na Deposição, é uma absoluta concentração criativa no tema escolhido. É certamente um dos mais significativos exemplos do modo como Tiepolo encarava a sua arte no final da vida, não apenas enquanto imagem alusiva, figura de narração ou alegoria, mas sobretudo como muda poesia de uma espécie de inquietude íntima e misticismo pessoal.

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