"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"

Uma Peça | Um Museu

Batismo de Cristo

Certamente inspirada nas pinturas flamengas do século XV, esta tapeçaria apresenta um esquema de composição habitual nesta época: Cristo, de pé nas águas do rio Jordão, entre São João Batista e o Anjo, a representação do Pai Eterno e do Espírito Santo, sob a forma de pomba. Uma peça do Museu Nacional de Arte Antiga.


Batismo de Cristo

Bruxelas
1º quartel do século XVI
Lã e seda
Inv. 28 Tap

Das oficinas de Bruxelas, no início de Quinhentos, saíram dois tipos de tapeçaria com características temáticas, de composição e de dimensão bem diferentes. Um deles, de grandes dimensões, apresenta num mesmo pano várias cenas separadas por elementos arquitetónicos – colunas, pilastras, arcaria – onde predomina um espírito cortesão traduzido por numerosas personagens que contracenam num dinamismo quase teatral. O outro, de pequeno formato e de temática sobretudo religiosa, segue muito de perto a pintura que por vezes copiava1. Este é um belo exemplar deste segundo tipo.

“Eu os batizo com água para o arrependimento; mas aquele que vem atrás de mim é mais forte do que eu, eu não mereço levar-lhe as sandálias; Ele os batizará no Espírito Santo e no fogo.” [Mateus 3,11].

O Batismo de Cristo, um dos elementos fundamentais da doutrina, constitui-se iconograficamente num tema recorrente de toda a arte cristã, pelo menos desde a época bizantina.

“No Batismo de Cristo a cena compõe-se de dois elementos bem distintos: a purificação na água do rio e a teofania – a descida do Espírito Santo. (...)”. Como notou Strzygowski, a aspersão tem lugar geralmente com uma taça ou concha, na arte italiana, com um jarro, na arte alemã, enquanto na pintura dos Países-Baixos (Roger de la Pasture, Memling, Gérard David) é por entre os dedos que João Batista deixa correr algumas gotas de água sobre a cabeça de Cristo.”2

Certamente inspirada nas pinturas flamengas do século XV, esta tapeçaria apresenta um esquema de composição habitual nesta época: Cristo, de pé nas águas do rio Jordão, entre São João Batista e o Anjo, a representação do Pai Eterno e do Espírito Santo, sob a forma de pomba. O Batismo cumpre-se, pois, segundo a descrição de Strzygowski.

A posição do braço esquerdo de Cristo foi modificada em data próxima à feitura da tapeçaria, provavelmente devido a imposições da Contra Reforma.

A cercadura, estreita e com elementos vegetalistas que se repetem, constitui o remate típico das oficinas de Bruxelas nesta época.

1) Maria José de Mendonça, Inventário de tapeçarias existentes  em museus e palácios nacionais, Lisboa, IPPC, 1983
2) Louis Réau, Iconographie de l’art chrétien, Paris, PUF, 1955

Agenda
Ver mais eventos
Visitas
43,001,478