"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"

Património Material

Igreja de Miranda do Douro

Distrito: Bragança
Concelho: Miranda do Douro

Tipo de Património
Património Material
Classificação
Monumento Nacional
Proteção Jurídica
Decreto de 16-6-1910; Z.E.P., D.G., 2ª Série, nº 185 de 9-8-1957
Identificação Patrimonial
Monumento/Edifício
Época(s) Dominante(s)
Moderna (Séc. XV a XVIII)
Tipologia original
Arquitectura Religiosa - Igreja
Valor patrimonial
Valor Artístico
Áreas Artísticas
Arquitectura Religiosa, Escultura, Pintura, Talha, Mobiliário, Trabalho do Ferro
Descrição

A antiga Sé de Bispado, fundada em 1552, constituia uma das três catedrais das novas dioceses criadas por D. João III. O seu primeiro bispo foi D. Toríbio Lopes, esmoler da rainha D. Catarina, natural da cidade de Béjar, na província de Salamanca. A traça do edifício deve-se ao arquitecto Gonçalo de Torralva, segundo uma carta episcopal endereçada ao rei, em 1547, e o desenho do interior da igreja é, provavelmente, da autoria de Miguel de Arruda, sendo a obra dirigida por Francisco Velázquez. O local escolhido para a construção corresponde provavelmente ao da antiga Igreja de Santa Maria (edificação que se devera a D. Dinis). Um amplo adro lageado e balustrado antecede este monumento de grande envergadura. O edifício religioso mostra linhas sóbrias e verticais, com uma fachada renascentista flanqueada por duas altas torres rectangulares, com a parte superior vazada por sineiras, onde a simetria geral, é aí, perturbada devido à deslocação do vão à direita da frontaria e, por outro lado, pelo seu estreitamento. Esta assimetria é reforçada pela elevação de uma outra sineira, no eirado da torre, encostada ao parapeito e encimada por cinco pináculos, ocultando a pequena sineira cilíndrica que se encontra ao centro do eirado e igual à da outra torre ex-gémea. O corpo central da fachada é percorrido superiormente por uma platibanda de balustres sobrepujando o portal maneirista, justaposto em dois andares, tendo a porta um arco pleno, liso, e o janelão, que lhe fica por cima, uma moldura trabalhada singelamente; encontram-se ladeados por dois pares de colunas cada um. O frontão triangular que encima o conjunto é rematado por uma cruz de pedra que vence a balustrada e sobre a qual se eleva, ainda, uma outra cruz de ferro forjado. Rasgadas na fachada, distribuem-se de maneira uniforme, aos lados do portal, oito janelas, sendo de menores dimensões, as quatro do nível inferior. A planta, cruciforme, é formada por três naves; os arcos torais definindo cinco tramos e sustentados por pilares toscanos, formados cada um por quatro colunas adossadas, suportam uma ampla abóbada de granito, nervada. O transepto, com quase as mesmas proporções da nave central, tem cobertura do mesmo tipo e também cinco tramos. Entre diversas obras de valor artístico salienta-se o altar-mor com um excelente retábulo maneirista formado por notável conjunto de imagens bíblicas, de vulto e em alto-relevo, obra concluída em 1614, devido ao mestre galego Gregório Fernández, considerado por alguns como expoente máximo da Escola de Valladolid. Este trabalho é considerado como o primeiro sinal do barroco entre nós, visível nas imagens dos Apóstolos e da Assunção da Virgem. O retábulo contém imagens da autoria de outros artistas e está disposto em dois níveis, no superior está um Cristo Crucificado, tendo a Seus pés Nossa Senhora e S. João Evangelista; no frontão a figura de Deus Pai. Além deste, merece destaque o trabalho no altar em talha barroca, do Senhor da Piedade, onde é possível admirar-se um belíssmo Cristo na Cruz. Vários outros altares ostentam boa talha, pinturas e esculturas. O templo possui ainda um magnífico órgão da época joanina e um cadeiral maneirista, do séc. XVI. Outro motivo de interesse é a ingénua imagem do Menino Jesus da Cartolinha, de meados do século passado, dá corpo a uma lenda que remonta ao séc. XVII, mais concretamente as Guerra da Restauração, e que conta que um rapazinho de espada em punho (mais tarde reconhecido como sendo o Menino Jesus, por ter desaparecido), percorreu as ruas da cidade incitando os habitantes a fazerem frente aos espanhóis. A imagem encontra-se vestida de ricos e variados trajes (inclui uma cartola e uma espada à cintura) que, segundo a tradição popular, foram oferecidos por uma dama, como prova de amor e saudade pelo noivo que morrera numa batalha. Nas traseiras da sé entre jardins, podem ver-se os restos do antigo Paço Episcopal, destruído por um incêndio no início do séc. XVIII.

Morada
Largo da Sé
5210
MIRANDA DO DOURO
Bibliografia
ALMEIDA, José António Ferreira de (coord.), Tesouros Artísticos de Portugal, Lisboa, Selecções do Reader's Digest, 1982.

GIL, Júlio e CALVET, Nuno, As mais belas igrejas de Portugal, vol. I, Verbo, Lisboa, 1988.

LOPES, Flávio (coord.), Património Classificado - Arquitectónico e Arqueológico - inventário, vol. I, Lisboa, IPPAR, 1993.

OLIVEIRA, Manuel Alves de, Guia Turístico de Portugal de A a Z, [Lisboa], Círculo de Leitores, 1990.

Data de atualização
29/11/2006
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