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Exposições

Depois de Veneza e Lisboa, Siza regressa ao Porto

A Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, em parceria com a Direção-Geral das Artes vai receber a exposição Neighbourhood: Where Alvaro meets Aldo, com curadoria de Nuno Grande e Roberto Cremascoli, que representou Portugal na 15ª Bienal de Arquitectura de Veneza em 2016.

19 Jun a17 Set

Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto
Via Panorâmica S/N | 4150-564 Porto


A FAUP vai acolher a terceira versão de uma exposição inicialmente pensada para um formato site specific na ilha da Giudecca, em Veneza, e que já passou pela Garagem Sul do CCB, em Lisboa, surgindo agora como um momento de balanço após três anos de trabalho em torno deste projeto. No Porto, vão ser apresentados conteúdos que dão a conhecer o processo de investigação que resultou na exposição e que realçam a sua importância – as viagens com Álvaro Siza, as cidades e os habitantes dos seus bairros sociais.

Tal como já tinha acontecido em Veneza, a apresentação da exposição na FAUP acontece, mais uma vez, num edifício desenhado pelo próprio Álvaro Siza. Nele estabelece-se um diálogo entre a arquitetura essencialista e despojada do arquiteto português e o ideário cenográfico e cromático do arquiteto italiano Aldo Rossi com quem a exposição procura uma afinidade cultural: onde Álvaro encontra Aldo.

Nesta terceira itinerância, pretende-se divulgar as obras de Siza e de Rossi, assim como as “vizinhanças” entre ambas, a um público alargado, a partir de uma Universidade e de uma Faculdade que refletem sobre a cidadania e exercitam o desenho da cidade. Não por acaso, aqueles arquitetos tornaram a “arquitetura da cidade” num ponto fulcral das suas carreiras.

Na sua origem, esta representação portuguesa, por iniciativa do Ministério da Cultura / Direção-Geral das Artes, respondeu ao desafio lançado pelo curador geral da 15.ª Bienal de Arquitetura de Veneza, em 2016, Alejandro Aravena – Reporting from the Front –, propondo um pavilhão site-specific construído numa frente urbana em plena regeneração física e social, dentro da cidade de Veneza, e mais especificamente da ilha de Giudecca. Na verdade, a ideia de instalar o pavilhão português in situ despoletou a conclusão do projeto de regeneração do Campo di Marte, proposto pelo arquiteto Álvaro Siza, há mais de 30 anos. Estima-se que as obras estarão completas no final de 2018, para benefício dos habitantes da ilha da Giudecca.

Deste modo, e inversamente ao que ocorre nos pavilhões de outros países, situados nos Giardini e Arsenale da Bienal de Veneza, onde a arquitetura serve de suporte genérico a um novo display expositivo em cada ano, neste pavilhão temporário foi a presença denunciante de um display expositivo singular que motivou a decisão política de terminar a arquitetura do conjunto, interrompida desde 2010 por falência do construtor.

“A conclusão desta obra, por parte das autoridades italianas, a que se seguirá a atribuição das casas aos habitantes do Campo di Marte, constitui por isso o resultado mais gratificante desta aventura por nós partilhada com Álvaro Siza”, referem os curadores.

A representação oficial portuguesa escolheu como tema central o notável trabalho de Siza no domínio da habitação social, abarcando os seus projetos em diferentes cidades – Campo di Marte (Veneza); Schlesisches Tor (Berlim); Schilderswijk (Haia); e Bairro da Bouça (Porto) –, e neles evidenciando a sua experiência de participação social, enquanto reflexo de uma compreensão democrática da cidade e da cidadania europeias. Esses diferentes projetos geraram verdadeiros lugares de vizinhança, tema central na atual agenda política europeia, em prol de uma sociedade mais inclusiva e multicultural.

Siza tem trabalhado estes conceitos em proximidade com, entre outras, a cultura arquitetónica italiana e, em particular, com o legado conceptual e ideológico de Aldo Rossi, cujo relevante ensaio A Arquitetura da Cidade perfez, precisamente, 50 anos em 2016. Nesse sentido, a exposição destacou esse estimulante encontro entre Álvaro e Aldo; dois nomes metafóricos, que podem também representar os vizinhos que se cruzam entre si, todos os dias, em todas as esquinas dos bairros de Siza.

No início de 2016, alguns meses antes da inauguração da Bienal de Veneza, Álvaro Siza regressou, a convite dos curadores, aos quatro bairros sociais que constituem o centro desta exposição. No Porto, em Veneza, em Haia e em Berlim, Siza visitou e conviveu com os diferentes residentes, entre antigos e novos vizinhos, percebendo a evolução dos seus habitats, mas também as principais transformações sociais e urbanas ali ocorridas, e hoje partilhadas por muitas outras cidades europeias: processos de imigração, guetização, gentrificação e turistificação.

Essas visitas e esses vizinhos foram retratados em imagens de diferentes suportes, respetivamente mostradas no exterior e no interior do Pavilhão de Portugal. Tratam-se de verdadeiros documentos da vida quotidiana, só possíveis graças à boa vontade dos residentes. Esses registos foram produzidos por uma qualificada equipa profissional e multidisciplinar, constituída por Cândida Pinto e Rodrigo Lobo (vídeos da exposição, Canal SIC), Jordi Burch e Nicolò Galeazzi (fotografias da exposição). Acompanharam inúmeros outros documentos cedidos pelo Canadian Centre for Architecture (CCA) e pelo arquivo Drawing Matter, em Inglaterra, parceiros institucionais, que, em conjunto com o ATER Venezia, o IUAV, a Municipalità di Venezia – Murano – Burano, a UNESCO Venezia, o Instituto Camões, a Embaixada de Portugal em Itália, e a Ordem dos Arquitetos Portugueses, se revelaram essenciais para a concretização desta iniciativa.

A exposição é ainda acompanhada por um catálogo, já disponível nas livrarias, que reúne importantes textos interpretativos da obra de Álvaro Siza e dos lugares onde esta se insere, dos seguintes autores: Mirko Zardini, Alberto Ferlenga, Andrea Barina, Adri Duivesteijn, Brigitte Fleck, Alexandre Alves Costa e Vittorio Gregotti.

A exposição Neighbourhood: Where Alvaro meets Aldo vai estar patente na FAUP de 19 de junho a 17 de setembro de 2018 na Galeria de Exposições da FAUP, de segunda a sábado, das 10h00 às 19h00.

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