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Literatura

Poderá o mundo caber num palco? Leituras no Mosteiro estão de volta

Leitura de O Grande Teatro do Mundo, de Pedro Calderón de la Barca, terá Nuno Carinhas, diretor artístico do Teatro Nacional São João, como convidado.

O Grande Teatro do Mundo_ João Tuna

16 Jan   |  21h00

Mosteiro de São Bento da Vitória
Rua de São Bento da Vitória, 4050-543 Porto
Preço
Entrada livre


Depois de as famílias – as felizes e as menos felizes – terem “habitado” os últimos quatro meses de 2017 das Leituras no Mosteiro, a iniciativa está de regresso com vontade de colocar em movimento o grande – o mundo – no interior do mais pequeno – o palco de um teatro. A primeira sessão do ano está agendada para terça-feira, dia 16 de janeiro, às 21h00, e debruçar-se-á sobre uma das mais conhecidas obras de Pedro Calderón de la Barca produzida pelo TNSJ, em 1996: O Grande Teatro do Mundo. A entrada é gratuita e decorre no Centro de Documentação do TNSJ, localizado no Mosteiro de São Bento da Vitória.

Em O Grande Teatro do Mundo (1635) – o mais famoso auto sacramental de Calderón –, é apresentado um curioso enredo onde Deus, Autor omnipotente, convoca o Mundo (diretor de cena) e os Espíritos (atores) para um “grande teatro da vida”. A cada um deles, é distribuído um papel – o Pobre, o Rico, a Formosura, a Discrição, o Rei, o Criado, o Menino, a Lei da Graça e o Lavrador – que representam arquétipos que ainda hoje se mantêm atuais. Na obra, o dramaturgo espanhol compara a vida humana a uma representação teatral onde há salvação ou punição consoante as ações que desempenham, independentemente do ator que a representa. “Quem me chama / (…) Quem me tira de mim e me dá vozes?”, pergunta o Mundo ao Autor.

A sessão inaugural conta com a presença de Nuno Carinhas, atual diretor artístico do Teatro Nacional São João e encenador do espetáculo de 1996, e Francisco Leal, responsável pela sonoplastia do mesmo projeto. Sobre a obra, diz-nos Carinhas que “questionar o mundo dos homens através de um texto escrito há séculos por um escriba que caucionou na sua obra o Poder e fez da Religião o seu próprio estado não é tarefa bafienta de recuperação em detrimento do reportório contemporâneo. É do mesmo prazer desperto do jogo e dos sentidos que se trata”. As Leituras no Mosteiro continuam a 20 de fevereiro com Rosencrantz e Guildenstern Estão Mortos (Tom Stoppard) e fecham o trimestre a 20 de março com a análise de excertos de Hamlet (William Shakespeare) e A Máquina Hamlet (Heiner Müller). A iniciativa – coordenada por Nuno M Cardoso e Paula Braga – acontece todas as terceiras terças-feiras de cada mês.

O Centro de Documentação do TNSJ foi fundado no ano 2000. O espaço integra um Arquivo, um núcleo essencial para os investigadores dos campos cénicos e para a preservação de documentos como registos vídeos de espetáculos, textos de teatro, dossiês fotográficos ou materiais promocionais das peças do TNSJ. Localizado no Mosteiro de São Bento da Vitória, contempla ainda uma Biblioteca considerada a melhor em Portugal no que toca às artes performativas. Disponibiliza gratuitamente a consulta de cinco mil livros, além de compilar vídeos, filmes e documentários sobre teatro e dança, óperas dirigidas por encenadores relevante, e ficheiros de teatro radiofónico. O Centro de Documentação está aberto ao público de segunda a sexta-feira, entre as 14h30 e as 18h00.

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