"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"

Teatro

Libertação, uma reflexão sobre o colonialismo português

Libertação aborda a questão mais traumática da história recente portuguesa, a Guerra do Ultramar ou Colonial, como ficou conhecida em Portugal, ou as Guerras de Libertação ou de Independência, como ficou para a história em Angola, Guiné-Bissau e Moçambique.

12 Out a15 Out

Teatro Maria Matos
Av. Frei Miguel Contreiras 52, 1700-213 Lisboa


Este espetáculo foca o lado dos nacionalistas africanos que lutavam pela sua libertação, descrevendo e analisando o movimento das independências em África, para melhor entender o caso do Colonialismo Português no contexto mundial. É também analisado o impacto que estas guerras tiveram em Portugal, e a sua contribuição para a queda do fascismo. Libertação é uma peça construída a partir de entrevistas feitas a pessoas que lutaram contra o colonialismo português, completadas com uma pesquisa de arquivo sobre as guerras de libertação e uma análise sobre os discursos políticos produzidos por ambos os lados da guerra.

Horário:
quinta e sexta (escolas) → 15h30
quinta a sábado → 21h30
domingo → 18h30

sexta → 13 outubro
conversa sobre Libertação

conversa após o espetáculo a propósito dos movimentos de libertação africanos, com André Amálio (Hotel Europa), Miguel Cardina (Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra) e Beatriz Dias (Djass, Associação de Afrodescentes)

sala principal com bancada • 6€ a 12€ • M/12 • duração: 1h45

menores de 30 anos: 5€ • menores de 18 anos: 3€ 

criação: André Amálio
cocriação e movimento: Tereza Havlí?ková
com: André Amálio, Lucilia Raimundo, Nelson Makossa
sonoplastia/DJ: Nelson Makossa
desenho de luz: Joaquim Madaíl
cenografia e figurinos: Maria João Castelo
produção: Hotel Europa      

BIOGRAFIA

Hotel Europa foi cofundado por André Amálio (Portugal) e Tereza Havlí?ková (República Checa), depois de se terem conhecido no MA in Performance Making na Goldsmiths University, Londres. A companhia desenvolve criações onde explora as fronteiras entre dança, performance e teatro, num processo colaborativo. O seu trabalho baseia-se em material autobiográfico, verbatim, histórias de família e histórias nacionais, mitologia e contos populares. Cria uma complexa rede de referências, quer populares quer eruditas, que permite ao público viajar entre culturas, idades e géneros para criar o seu próprio entendimento da narrativa. O repertório da companhia inclui: Hotel Europa (2010), AmálioVsAmália (2011), TV Heroes (2012), Faith (2013), KinoWaltz (2014), Portugal não é um país pequeno (2015), Passa-Porte (2016) e Libertação (2017). O seu trabalho tem vindo a ser apresentado em Portugal, na República Checa e no Reino Unido.

ENQUADRAMENTO
Libertação insere-se no ciclo da companhia Hotel Europa sobre o fim do colonialismo português, iniciado com Portugal não é um País Pequeno (2015) e seguido de Passa-Porte (2016). Estes espetáculos desenvolvem-se dentro da estética do novo teatro documental, procurando aliar a experiência de criação artística à investigação académica a partir de métodos historiográficos, em particular pesquisa de arquivo e história oral. Neste ciclo, André Amálio interessa-se por situações onde pessoas reais contribuem para contestar e reconstruir identidades culturais, e particularmente pela forma como o teatro pode ter um papel na reescrita da história, dando voz a um grupo silenciado, e trabalhando na transmissão da memória entre gerações. Em 2014, festejou-se o quadragésimo aniversário do 25 de Abril, a revolução que marcou o fim do mais longo regime fascista na Europa - 48 anos, mas também o fim do Colonialismo Português, o mais duradouro de todos os impérios coloniais modernos, com quase cinco séculos de existência. Depois de todo este tempo, há ainda questões difíceis de discutir na sociedade portuguesa, relacionadas com o final desta época e a consequente passagem para a democracia. Questões traumáticas associadas ao Estado Novo, à Guerra Colonial e ao processo de descolonização, permanecem presentes na nossa memória colectiva, silenciadas que foram durante décadas devido à sua complexidade política e histórica. Libertação debruça-se precisamente sobre o mais avassalador acontecimento do fim do colonialismo Português: as guerras de independência em Angola (1961-1975), Guiné (1963-1975) e Moçambique (1964-1975). Estes fenómenos são abordados como parte do fim do colonialismo e imperialismo português em África e como causa primeira para o fim do Estado Novo. Este espetáculo aborda a guerra a partir de diferentes perspectivas, começando por uma exaustiva pesquisa bibliográfica e de arquivos sobre estas matérias, e uma recolha de testemunhos de pessoas que viveram a guerra: soldados portugueses, soldados dos movimentos de libertação, portugueses que se juntaram a esses movimentos africanos, ou ainda soldados que fugiram à tropa, integrando movimentos de resistência em França e na Argélia. A partir destas múltiplas memórias, procuram obter-se respostas plurais para este episódio histórico, olhando também para o lado mais transformador e revolucionário que trouxe a liberdade e independência para novos países em África. Este processo inclui uma vasta colecção de testemunhos e material de arquivo. Com o objetivo da sua recolha, Hotel Europa trabalhou em contato próximo com diferentes Instituições em Portugal, Angola, Guiné-Bissau e Moçambique, tais como: Associação dos Deficientes das Forças Armadas, Associação APOIAR, Associação 25 de Abril, União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), Associação Guineense de Solidariedade Social - AGUINENSO, Fórum de Estudantes Guineenses em Portugal, Liga dos Africanos e Amigos de África – Liáfrica, Centro Cultural Africano, CIDAC - Centro de Intervenção Para o Desenvolvimento Amílcar Cabral, Centro de Estudos Africano da Universidade Eduardo Mondelane em Moçambique, Fundação Portugal – África, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa na Guiné Bissau, Arquivo Histórico de Moçambique, Associação Tchiweka de Documentação em Angola, Associação Unida e Cultural da Quinta do Mocho (Sacavém e Prior Velho), Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Um sincero agradecimento a todos quantos tornaram possível esta criação.
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