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Teatro

A Escola da Noite conta Histórias Perversas no TCSB

A Escola da Noite estreia em Coimbra, o espetáculo "TOMEO Histórias Perversas". A nova criação assinala os 25 anos da mais antiga companhia profissional de teatro da cidade, que regressa ao universo do dramaturgo espanhol Javier Tomeo. Foi com ele que tudo começou, em março de 1992.

14 Set a30 Set

Teatro da Cerca de São Bernardo
3000-097 Coimbra


“TOMEO Histórias Perversas” é a 65.ª criação d'A Escola da Noite. Com dramaturgia, encenação e espaço cénico de António Augusto Barros, “TOMEO Histórias Perversas” inclui 26 textos selecionados a partir das obras “Histórias Mínimas”, “Cuentos perversos”, “Inéditos y Reescrituras”, “Los nuevos inquisidores”, “Problemas oculares” e “Bestiário”.

Definida como uma “literatura livre e audaz”, a escrita de Tomeo – muitas vezes a raiar o absurdo – é plena de humor, ironia e sátira mas também de poesia e humanismo. A perversidade, anunciada pelo próprio, e a aparente falta de compaixão com que trata as suas personagens desafiam-nos a pensar na forma como vivemos, como vivemos com o outro e como convivemos com um mundo que tantas vezes nos parece uma coisa demasiado estranha. A propósito dos “seres incompletos, incapazes de encaixar no mundo” que povoam os textos de Tomeo, escreveu o crítico Daniel Gascón: “Com as suas parábolas sobre o medo irracional, a solidão e a incomunicação, Javier Tomeo faz com que a realidade se torne um pouco mais ameaçadora, mas também muito mais rica e fascinante. É o melhor serviço que um escritor pode prestar aos seus leitores”.

Gigantes, moinhos, assassinos e míopes, num cenário surpreendente e com música ao vivo
Entre os 26 textos escolhidos para o novo espetáculo d’A Escola da Noite, o público encontrará (muitos) míopes, pais que vêem gigantes onde filhos vêem moinhos, assassinos que saltam da tela de cinema, crianças que partem a lua em pedaços, esqueletos que falam, capitães que desertam, leões que choram e muitas outras coisas que nem sempre “saem à medida dos nossos desejos”.

A par do trabalho dos três atores da companhia, que se desdobram em dezenas de personagens, sobressai nesta produção o elaborado e surpreendente dispositivo cénico e a música original e sonoplastia de Jorri, que a interpreta ao vivo em todas as sessões da temporada. O trabalho de vídeo de Eduardo Pinto, a iluminação de António Rebocho e os figurinos e adereços de Ana Rosa Assunção completam o conjunto de contributos criativos para o espetáculo.

Depois das duas ante-estreias esgotadas em Julho, “TOMEO Histórias Perversas” estará agora em cena no Teatro da Cerca de São Bernardo entre 14 e 30 de Setembro – de quarta a sábado às 21h30 e aos domingos às 16h00. Os preços variam entre os 5 e os 10 Euros e a companhia aconselha vivamente a reserva antecipada de lugares. Devido às características do espaço cénico, e para salvaguardar a boa visibilidade de todos os lugares da bancada, a lotação é mais reduzida do que o habitual.

Javier Tomeo e A Escola da Noite
Javier Tomeo (1932-2013) foi um dos autores mais originais e prolíficos da narrativa espanhola contemporânea. As suas obras foram traduzidas em quinze idiomas e várias foram adaptadas ao cinema ou representadas nos principais teatros europeus. A sua produção literária – com destaque para obras como “Amado Monstro” e “O Caçador de Leões” – foi distinguida com vários prémios, entre os quais o “Prémio Aragón a las Letras”, em 1994. Em 2012, toda a sua narrativa breve, incluindo as obras “Historias Mínimas” e “Cuentos Perversos”, foi reunida num só volume, pela editora Páginas de Espuma, sob o título “Cuentos Completos”. Morreu em Barcelona, em 2013, deixando dois livros por publicar: a novela “El hombre bicolor” e o seu último livro de micro-relatos “El fin de los dinosaurios”.

No prólogo de “Cuentos Completos”, Daniel Gascón identifica as oito “regras” que caracterizam a literatura de Tomeo: “aceitar as regras do acaso e do absurdo; a força da sugestão e o fascínio pelo monstruoso; a animalização dos humanos e a humanização dos vegetais e dos animais; o fascínio pelos pormenores do mundo natural e a desconfiança em relação à tecnologia; a fantasia desbocada e a intuição arrepiante; a vivência traumática do amor e do sexo; a violência repentina; a importância do ‘ele’ e esse olhar a que Tomeo gosta de chamar psicopático”. De tão singular, a obra de Tomeo é muitas vezes referida como “inclassificável”. Ainda assim, vários críticos e ensaístas têm encontrado nela influências de Kafka, de Buñuel, do surrealismo, mas também de Charlot, Buster Keaton ou de Ramón Gómez de la Serna.

Em Portugal, estão publicados “Amado Monstro” (Cotovia, 1990) e “Histórias Mínimas” (Livros Horizonte, 1992).

“Amado Monstro”, com encenação e interpretação de António Jorge e José Neves, foi o primeiro espetáculo d'A Escola da Noite, estreado em Coimbra a 19 de Março de 1992, no Teatro Académico de Gil Vicente.

 
textos Javier Tomeo tradução António Augusto Barros, Igor Lebreaud, Miguel Magalhães e Sofia Lobo dramaturgia, encenação e espaço cénico António Augusto Barros figurinos, adereços e imagem gráfica Ana Rosa Assunção música Jorri vídeo Eduardo Pinto iluminação António Rebocho interpretação Igor Lebreaud, Miguel Magalhães e Sofia Lobo voz-off Ana Gonçalves, Igor Lebreaud, Maria João Robalo figuração e maquinaria de cena Ana Gonçalves, Cláudia Morais e Sofia Coelho cabelos Carlos Gago | Ilídio Design consultadoria de cenografia João Mendes Ribeiro e Luísa Bebiano montagem e operação técnica Rui Valente e Zé Diogo

ESTREIA E TEMPORADA EM COIMBRA
Teatro da Cerca de São Bernardo
14 a 30 de setembro de 2017
quarta a sábado, 21h30; domingos, 16h00
M/12 > 1h30
Preços: Normal, 10 €; Estudante, jovem, M/65, profissionais e amadores/as de teatro: 6 €;
Entidades protocoladas TCSB: 5 €; Assinaturas TCSB: 50 € (10+1 entradas) ou 30 € (5 entradas)

Informações e reservas:
239 718 238 / 966 302 488 / geral@aescoladanoite.pt
 
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