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Teatro

Jorge Louraço Figueira "embarca" numa viagem ao passado no TeCA

Evocando uma das mais famosas peças de Samuel Beckett – À Espera de Godot –, o encenador e dramaturgista faz uma homenagem a Ribeirinho.

9 Jan a13 Jan

Teatro Carlos Alberto
Rua das Oliveiras, 43, 4050-449 Porto


A partir de uma sala de ensaios ficcional, À Espera de Beckett ou Quaquaquaqua atravessa três décadas da História teatral portuguesa. A ação do espetáculo – escrito e encenado por Jorge Louraço Figueira – inicia-se em 1959, em Lisboa, onde uma trupe de comediantes estreia À Espera de Godot (uma das mais famosas peças de Samuel Beckett), liderados por Francisco Ribeiro, ator conhecido como Ribeirinho de filmes como O Pai Tirano ou O Pátio das Cantigas. As várias “vidas” da peça ao longo dos anos seguintes servem assim de mote a este espetáculo que se assume como uma viagem pelo imaginário coletivo. Está em cena de quarta-feira até domingo (9 a 13 de janeiro), no Teatro Carlos Alberto (TeCA).

Após a estreia de À Espera de Godot, no Teatro da Trindade, o espetáculo faria ainda uma pequena digressão pelo Porto, mais precisamente no Teatro Nacional São João – “casa mãe” do Teatro Carlos Alberto onde agora se apresenta a criação de Jorge Louraço Figueira. Dez anos depois, Ribeirinho remonta a peça, sendo que, desta vez, Beckett está refugiado no Hotel Cidadela em Cascais para usufruir de umas pequenas férias. Será que o dramaturgo “sabia que em Lisboa se ensaiava a sua peça? Como reagiriam os atores se soubessem que Beckett vinha?”. A ação do espetáculo culmina em 1973, ano em que À Espera de Godot viajou até várias localidades de Angola para ser apresentado a colonos e militares.

Qua ou quoi? Um espaço em que se imaginam várias possibilidades

Em À Espera de Godot, durante umas das suas falas, Lucky utiliza a expressão “quaquaquaqua”. Ainda que muitos considerem que a palavra foi usada deliberadamente no discurso para confundir a audiência, sabe-se que “qua” é uma palavra do latim (feminino do “qui”) que significa “na qualidade de” ou “sendo”. Por outro lado, e tendo em conta que a peça de Samuel Beckett foi escrita originalmente em francês, acha-se que “qua” significa “quoi”, palavra francesa que quer dizer “o que”.

Qualquer uma das explicações serve a ideia que Jorge Louraço Figueira defende no programa do espetáculo: “Como nos sonhos, as pessoas tornam-se outras pessoas sem mais nem menos”. Em À Espera de Beckett ou Quaquaquaqua, as pessoas desdobram-se em outras – o “ator Pedro Diogo faz de Francisco Ribeiro, que por sua vez faz de Chico Mega, que por sua vez faz de Estragon; Estêvão [Antunes] enquanto Mestre Santana enquanto Didi. Óscar [Silva] enquanto Machado. Mário Moutinho enquanto Ponto Pinto”.

À Espera de Beckett ou Quaquaquaqua – que se estreou em novembro de 2017 – é uma coprodução entre Teatro da Trindade – Fundação INATEL, Teatro Constantino Nery – Câmara Municipal de Matosinhos e Câmara Municipal de Viana do Castelo. O espetáculo pode ser visto de quarta a sexta-feira, às 21h00; ao sábado, às 19h00; e ao domingo, às 16h00. A récita de sábado, dia 12 de janeiro, “dá” Carta-Branca a crianças com idade superior a quatro anos, com um espaço de oficinas e babysitting cuja inscrição é de 2,50 euros. O preço dos bilhetes é de 10 euros.

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