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Uma Peça | Um Museu

Virgem com o Menino

A Virgem com o Menino é tradicionalmente atribuída à oficina de Mestre Pero, figura central na evolução da escultura gótica trecentista em Portugal. 

Uma peça do Museu Nacional de Arte Antiga


Virgem com o Menino 

Oficina de mestre Pero
2º quartel do século XIV
Calcário
Doação (coleção Vilhena),1980
Inv.1087 Esc

 

Parece incontestável que se trata de artista estrangeiro, talvez de origem aragonesa, como parecem indicar as influências que a sua arte manifesta. Contudo, ignoramos o momento da sua chegada ao reino e a quem se deve a iniciativa de tal deslocação. É possível que tenha vindo por volta de 1330, escassos anos após a morte de D. Dinis (1325), nos primórdios do reinado de D. Afonso IV, seu filho.

A estreita ligação aos meios áulicos portugueses, nomedamente à rainha D. Isabel de Aragão e a D. Vataça, sua dama de companhia, sugere que a sua vinda se pode dever à própria Rainha viúva que, conhecedora do panorama artístico aragonês e catalão e ciente do seu avanço técnico e estilístico, terá mandado vir o escultor para realizar o seu moimento funerário. A chegada deste mestre a Portugal marca uma viragem decisiva no panorama escultórico nacional, quer na escultura funerária, quer na devocional.

Pode, pois, dizer-se que a escultura gótica portuguesa atingiu a sua maioridade com Mestre Pero. Entre a imaginária avulsa saída da sua oficina a temática principal corresponde à Virgem, o que aliás obedece ao gosto e à sensibilidade da época. Mestre Pero revela uma clara preferência pelas Virgens em pé, opção exclusiva quando se trata da Senhora do Ó e maioritária quando se trata da Virgem com o Menino que segura no braço esquerdo. Em qualquer das iconografias, tal opção permitiu-lhe explorar o tratamento dos panejamentos e transmitir algum movimento à figura, mais difícil de alcançar nas Virgens sentadas típicas do Românico ou dos primeiros tempos do Gótico, por isso sempre mais hieráticas.

O corpo da Virgem apresenta ligeira torção, adotando um perfil em S, que confere alguma dinâmica à peça.

De olhos amendoados e um quase sorriso na boca pequena, a Senhora usa coroa florida baixa colocada sobre o véu que deixa ver algumas madeixas de cabelo enquadrando a face arredondada.

Traja túnica comprida até aos pés e capa com pregas movimentadas, até abaixo dos joelhos, presa por um firmal com quatro lóbulos, bem à moda da época.

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