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Prémio Fernando Namora para Carlos Vale Ferraz

A Última Viúva de África é o romance eleito pelo júri da 21.ª edição deste Prémio Literário.


A Porto Editora orgulha-se de informar que o romance A Última Viúva de África, de Carlos Vale Ferraz, é o vencedor do Prémio Literário Fernando Namora/2018, com o valor pecuniário de 15 mil euros. 
Carlos Vale Ferraz, referência na literatura sobre a guerra colonial, transporta-nos neste romance para as origens das lutas pela independência nas colónias africanas, no Congo, e a partir daí para os seus reflexos em Angola e Moçambique, recorrendo a personagens reais e ficcionadas. “O ex-Congo Belga e Angola constituem neste romance o eixo geopolítico de ações de guerra e desvarios humanos no qual uma mulher, ‘Madame X’, emerge, simultaneamente, como figura de ligação da estória do romance e da História dos anos 1960, no início da guerra nacionalista”, de acordo com a ata do júri presidido por Guilherme d’Oliveira Martins e contando ainda com José Manuel Mendes, Manuel Frias Martins, Maria Carlos Loureiro, Maria Alzira Seixo e Liberto Cruz, e com Nuno Lima de Carvalho e Dinis de Abreu pela Estoril-Sol.

SINOPSE
Alice Oliveira, nascida e criada no Minho, num meio pobre e sem outros horizontes a não ser o casamento com algum camponês, ou o trabalho duro nas fábricas locais, cedo tomou as rédeas do seu destino. 
Nos anos cinquenta do século passado terá emigrado para o continente africano, pertencendo ao reduzido número de portugueses que permaneceu na antiga colónia belga do Congo após a independência.
Conhecida nesses tempos por Madame X pelas autoridades portuguesas, para quem trabalhava como informadora, e por Kisimbi, a «mãe», pelos mercenários que combatiam em prol da secessão do Catanga, ela permanece uma figura misteriosa, que ganha contornos bem definidos neste romance, A Última Viúva de África, onde se recria o percurso de vida, os motivos, os encontros e desencontros e a rede de contactos que fizeram dela a amante frustrada do continente africano, a viúva branca de um paraíso perdido com a descolonização. 

O AUTOR
Carlos Vale Ferraz, pseudónimo literário de Carlos de Matos Gomes, nasceu a 24 de julho de 1946, em Vila Nova da Barquinha. Foi oficial do Exército, tendo cumprido comissões em Angola, Moçambique e Guiné. Algumas das suas obras foram adaptadas ao cinema e à televisão, e colaborou com Maria de Medeiros no argumento do filme Capitães de Abril. É investigador de História Contemporânea de Portugal. Publicou, como Carlos de Matos Gomes e em coautoria com Aniceto Afonso, os livros Guerra Colonial, Os Anos da Guerra Colonial e Portugal e a Grande Guerra. No catálogo da Porto Editora figuram os seus romances A Última Viúva de África (2017) e Nó Cego (1.ª ed. 1982), agora reeditado, uma obra de referência obrigatória na ficção portuguesa sobre a guerra colonial. 

EXCERTO
«Eu vi o outro lado, vi corromper até ao âmago os negros a quem nós, os brancos, queríamos deixar como nossos capatazes. Vi onde fomos buscar aqueles que escolhemos para nos substituir nos palácios dos governadores, nos quartéis-generais, nas sedes dos bancos ultramarinos, fomos recrutá-los aos seminários, às repartições do baixo funcionalismo, às secretarias dos regimentos das tropas de segunda linha, às tesourarias das empresas. Vi-os praticar o pior que lhes tínhamos ensinado. Como ganharam as eleições, cortando os braços aos eleitores dos adversários, a uns pelos cotovelos, os manche courtes, e a outros pelos pulsos, os manche longues. Impedindo-os de colocarem o dedo com a sua impressão num boletim de voto. Assisti à derrocada da Europa em África, vencida e traída pela América, aliada e campeã da civilização ocidental. A Alice Oliveira foi das que antecipou instintivamente esse resultado. Lutou até ao fim.» 

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