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Património

Bettany Hughes recebeu em Lisboa o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva 2018

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio recebeu no passado dia 15 de novembro, na Fundação Calouste Gulbenkian, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

Foto: Fundação Calouste Gulbenkian/Márcia Lessa


“Sinto-me profundamente honrada por receber este prémio que tem o nome da ativista cultural portuguesa Helena Vaz da Silva e de o receber aqui em Lisboa, uma cidade que é tão importante para mim por razões históricas, filosóficas e pessoais. Estou particularmente feliz por ser a primeira mulher a receber este prémio”, afirmou Bettany Hughes.

Bettany Hughes recebeu o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva 2018 das mãos da Ministra da Cultura, Graça Fonseca. “Este prémio, que leva o nome de uma mulher excecional, é este ano concedido a outra mulher excecional. O rigor académico e o entusiasmo apaixonado de Bettany Hughes são evidentes em todo o seu trabalho e isso tornou a sua obra acessível a um público mais amplo”, observou a ministra.

O Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, prestou homenagem a Bettany Hughes numa mensagem em vídeo que foi mostrada na cerimónia. “Bettany Hughes desempenhou um papel decisivo na promoção do património cultural e dos ideais da Europa. Ela é um exemplo para todos nós. Fui um grande apoiante do Ano Europeu do Património Cultural de 2018. Estou muito satisfeito por, neste ano especial, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva ser atribuído a Bettany Hughes”, afirmou o Presidente Português.

Guilherme d'Oliveira Martins, Membro do Júri do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva, que também é Administrador da Fundação Gulbenkian, fez um discurso elogioso sobre a historiadora britânica. “Bettany Hughes ensinou-nos a conhecer, defender e amar o património cultural. Ao longo da sua vida e do seu trabalho, Bettany Hughes cultivou a memória como um condutor de conhecimento, diversidade cultural e respeito mútuo. Entender a heterogeneidade das nossas raízes e culturas permite entender melhor quem somos, de onde viemos e como devemos nos relacionar com os outros”, enfatizou.

Maria Calado, Presidente do Centro Nacional de Cultura, bem como do Júri do Prémio Helena Vaz da Silva, sublinhou que Bettany Hughes é a primeira mulher a receber este prémio:  

“Figura multifacetada, historiadora por formação, é professora universitária e autora. Mas é, sobretudo, uma grande comunicadora que atua no espaço público, informando com rigor, atratividade e sucesso, sobre os mais diversos aspetos da cultura, da história, da filosofia e da ciência.”  

O Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural recorda a jornalista portuguesa, escritora, ativista cultural e política (1939- 2002), e a sua notável contribuição para a divulgação do património cultural e dos ideais europeus. É atribuído anualmente a um cidadão europeu cuja carreira se tenha distinguido pela difusão, defesa, e promoção do património cultural da Europa, quer através de obras literárias e musicais, quer através de reportagens, artigos, crónicas, fotografias, cartoons, documentários, filmes de ficção e programas de rádio e/ou televisão. O escritor italiano Claudio Magris foi o primeiro laureado do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva em 2013; o escritor turco e Prémio Nobel da Literatura Orhan Pamuk foi distinguido em 2014; o músico catalão Jordi Savall foi premiado em 2015; o cartoonista francês Jean Plantureux, conhecido como Plantu, e o ensaísta português Eduardo Lourenço venceram ex aequo a edição de 2016 do Prémio. Em 2017, o cineasta Wim Wenders foi o vencedor.

Instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura em cooperação com a Europa Nostra, a principal organização europeia de defesa do património que o CNC representa em Portugal, e o Clube Português de Imprensa, distingue contribuições excecionais para a proteção e divulgação do património cultural e dos ideais europeus. Conta com o apoio do Ministério da Cultura, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Turismo de Portugal. 

Bettany Hughes é uma reconhecida historiadora e autora, também responsável por programas de televisão e de rádio, que dedicou os últimos 25 anos à comunicação do passado. A sua especialidade é a História e a Cultura da Antiguidade e da Idade Média. Membro da Universidade de Oxford, deu aulas nessa Universidade e em Cambridge e também em Cornell, Bristol, UCL, Maastricht, Utrecht e Manchester. É tutor do Institute of Continuing Education da Universidade de Cambridge e Research Fellow do King's College de Londres. Este ano juntar-se-á ao New College of the Humanities como Professora Visitante. 

O seu primeiro livro Helena de Troia: Deusa, Princesa, Prostituta (2005) foi traduzido para dez idiomas, e publicado em Portugal (Alêtheia, 2008). O seu segundo livro, The Hemlock Cup: Socrates, Athens and the Search for the Good Life(2010) foi bestseller do New York Times e finalista do Writers Guild Award.

Bettany Hughes escreveu e apresentou mais de 50 programas de rádio e TV para a BBC, Channel 4, Discovery, PBS, Canal História, National Geographic, Discovery, BBC World e ITV. Os seus programas já foram vistos por mais de 250 milhões de espectadores em todo o mundo.

Bettany Hughes tem também chamado a atenção para a posição das mulheres na sociedade, tanto no passado como no presente.

Por ocasião da Cerimónia de Entrega do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva, foi também celebrado o vencedor português do Prémio da União Europeia para o Património Cultural de 2018 / Prémio Europa Nostra. O Jardim Botânico do Palácio Nacional de Queluz obteve não só um prémio na categoria Conservação como também ganhou o prestigioso Prémio “Escolha do Público” 2018. Nuno Oliveira, diretor técnico do Património Natural, apresentou o projeto de reabilitação.

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