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Recuperação do Castelo de Juromenha

Anos de abandono e as chuvadas dos últimos meses provocaram a derrocada de uma torre da fortaleza construída em taipa no período islâmico e reforçada em pedra no reinado de D. Dinis.

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A derrocada que afetou, há cerca de dois meses, a torre da fortaleza da Juromenha veio colocar, de novo, no centro das atenções a recuperação de monumento classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1957. Não foram apenas as intensas chuvadas que têm ocorrido desde o final do mês de março que contribuíram para aluimento da torre. Anos de abandono já tinham deixado o alerta para o estado de degradação em que se encontra a estrutura que até ao início do século XX acolheu o aglomerado da vila de Juromenha. A câmara quer recuperar a estrutura, mas aguarda por fontes de financiamento. A obra pode ascender aos 4,5 milhões de euros.

Quando assumiu funções em outubro, o atual presidente da autarquia do Alandroal, João Grilo, deu conta das condições deploráveis em que se encontrava a fortaleza e da dimensão da tarefa que tinha em mãos, que poderia ser atenuada através da candidatura ao programa Revive. Mas como não havia estudos técnicos elaborados, esta possibilidade caiu por terra, tal como as obras de recuperação poderem ocorrer no âmbito de um projeto de Potencial Interesse Nacional (PIN) que também ficou pelo caminho.

O autarca lembra que o projeto PIN propunha à recuperação total da fortaleza e a instalação de uma grande unidade hoteleira no seu interior. O modelo de negócio em que assentava previa a construção de um campo de golfe e de espaços de alojamento no exterior da fortaleza. Hoje, esta solução “está posta de parte”, assume o autarca.

Agora, a solução terá de passar “por uma componente de investimento público aplicado na recuperação da fortaleza, para tornar acessível a utilização do espaço por uma entidade privada”, diz João Grilo.

A diretora Regional de Cultura do Alentejo, Ana Paula Amendoeira, adiantou ao PÚBLICO que os serviços a que preside estão a colaborar com o município de Alandroal no sentido de se “elaborar um projeto de recuperação das muralhas abaluartadas e torre medieval” para candidatar ao próximo aviso do programa Alentejo 2020, que se encontra em fase de reprogramação.

Investimento de 4,5 milhões

A recuperação das estruturas interiores da fortaleza está, por sua vez, dependente do programa Revive. Neste sentido já foram realizados contactos com o gabinete do ministro da Cultura, a secretária de Estado do Turismo e a Direção Geral do Tesouro e Finanças para se encontrar uma forma de obter o necessário financiamento. O investimento global na recuperação do monumento, “pode atingir os 4,5 milhões de euros”, prevê o presidente da Câmara do Alandroal, frisando que o projeto a materializar terá uma “baixa densidade de intervenção” e o seu interior continuará acessível à população mesmo que ali seja instalado um projeto privado.

O autarca garante que a zona onde se deu a derrocada “não representa um risco para os que visitam a fortaleza”, tal como outros pequenos aluimentos que ocorreram posteriormente dada a intensidade da precipitação atmosférica.

As primeiras referências ao sítio da Juromenha datam da segunda metade do século IX. Durante mais de 200 anos, este local foi considerado a praça-forte de defesa da zona de Badajoz, pertencendo desde o século X ao Califado de Córdova. O castelo que ficou conhecido como a “sentinela do Guadiana” só seria definitivamente reconquistado pela coroa portuguesa em 1242.

A fortaleza foi edificada segundo uma planta de modelo poligonal, composto por duas cinturas de muralhas, uma interna, onde se situa a torre de menagem, e outra externa, de tipo abaluartado. No espaço interior da fortaleza foram edificadas as igrejas da Misericórdia e a matriz, bem como os antigos Paços do Concelho e respetiva cadeia e uma cisterna de planta retangular que abastecia a população, que ali permaneceu até ao início do século XX.

Destruição e reconstrução 

Os sinais de destruição que se observam no seu interior não são apenas resultado do abandono. Um incêndio fez saltar o paiol da pólvora, em 1659, causando a destruição de parte expressiva das estruturas. A fortaleza voltou a sofrer danos profundos com o terramoto de 1755. No contexto dos trabalhos de recuperação provocados pelo sismo, foram efetuadas obras de reparo e de ampliação com um novo baluarte à muralha pelo lado do Guadiana para defesa do ancoradouro das barcas que percorriam o rio.

A torre da fortaleza onde se deu a derrocada foi originalmente construída em taipa militar islâmica, tendo sido reforçada com pedra pelo exterior em princípio ainda no reinado de D. Dinis. A estrutura voltou a ser intervencionada em meados do século XX pela Direção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, altura em que foi construído um muro exterior como reforço.

João Grilo espera concluir o projeto de recuperação das muralhas abaluartadas e torre medieval para candidatar ao próximo aviso do Alentejo 2020 até ao final do ano, seguindo-se a execução das obras que poderão decorrer até 2021.


por Carlos Dias, in Público | 8de julho de 2018
Notícia no âmbito da parceria Centro Nacional de Cultura | Jornal Público 
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