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Teatros

Evocação de Tomaz Ribas no centenário do seu nascimento (II)

Vimos, na crónica anterior, a relevância e projeção artística e crítica de Tomaz Ribas nas artes de espetáculo isto, não obstante os quase 20 anos decorridos desde a sua morte.


Nascido em 1918, não é somente a celebração do centenário que justifica estas referências: como já tivemos ocasião de escrever, a obra de Tomaz Ribas marca a criatividade cultural do país em áreas diversas, mas sempre num plano de qualidade de profundidade. O livro de José Batista de Sousa amplamente o demonstra.

Importa agora recordar que, no que toca ao teatro, foi na companhia então  denominada do  Teatro Experimental que em 1951 se apresentou pela primeira vez uma peça de Tomaz Ribas: ”Roberto e Melizandra”, estreia que abriu assim uma carreira extensa e intensa, muito válida e variada de dramaturgo, onde percorre estéticas e técnicas de espetáculo diversas: designadamente  “A Casa de Isaac”, “Cláudia ou a Vozes do Mar”, esta representada no Brasil, “Gata Borralheira”, “Retrato de Senhora”, “Pedro e a Morte de Inês”, “A Única Mulher do Barba Azul” ou “O Grito de Medeia”, num conjunto dramatúrgico com obras de destaque  que engloba outros exercícios dramáticos.

E a estes podem acrescentar-se bailados e ensaios diversos sobre temas de história, cultura e literatura, de que citamos designadamente “Breve Panorama do Romance Português”, “O Último Negócio”, “A Casa de Malafaia”, e estudos como “A Dança e o Ballet no Passado e no Presente”, “O que é o Ballet”, “A Literatura Portuguesa nos Seculos XIX e XX” e outros livros.

Trata-se, no conjunto, de perto de 50 títulos, cerca de 35 publicados em volume, ao longo de uma vida dedicada às artes, sobretudo ás artes do espetáculo global. 

E mais: encontramos uma série de estudos e análises na perspetiva da globalidade da cultura de raiz portuguesa na transnacionalidade europeia e africana, e na abrangência histórica que transforma a bibliografia de Tomaz Ribas num singular, diria mesmo inédito conjunto de abordagem e analises de expressões artísticas nas artes de espetáculo de raiz europeia, africana e de abrangência cultural e científica extremamente variada.

Em suma: uma simbiose de criação e de analise histórica e estética, nas áreas do teatro, da dança, da literatura, e salientando a diversificação que a raiz portuguesa, ao longo de séculos, criou e determinou. Numa abrangência temática que tem como tema dominante as artes de espetáculo, as quais constituem o traço comum da vida e obra de Tomaz Ribas.

E por todas estas razões, mas sobretudo pela relevância e pelo significado da obra, há que saudar a iniciativa da  Fundação INATEL, designadamente o  Núcleo de Arquivo Histórico e Documentação e o seu Coordenado Doutor José Baptista de Sousa,  a quem se fica a dever esta reedição justíssima e oportuníssima do estudo de Tomaz Ribas.

Duarte Ivo Cruz

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