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Os Lusíadas: um pedaço da história no palco do Bolhão

Uma revisitação da obra de Camões vocacionada para o público jovem, numa encenação da jovem Beatriz Frutuoso. Em cena até 17 de março, no Teatro do Bolhão, no Porto.

A história de Portugal, dos livros para o palco em 75 minutos   |  André Rolo/Global Imagens


De a Batalha de Aljubarrota à história de amor entre Pedro e Inês; do Velho do Restelo à chegada à Índia. Desta vez, nem é preciso folhear. A história - esse pedaço da história de Portugal - sai do papel, ganha vida e passa-nos diante dos olhos em palco. O Teatro do Bolhão, no Porto, leva à cena Os Lusíadas, até dia 17 deste mês.

Um desafio, este de tornar a maior epopeia da literatura portuguesa em 75 minutos de dramaturgia, como explica ao DN a jovem encenadora Beatriz Frutuoso. "Dada a extensão da obra, temos de selecionar as partes que queremos levar para o palco. Temos em conta que a maioria do nosso público é escolar, pelo que esse fator entra no critério. Procurámos amenizar a linguagem, mantendo-a o mais integral possível, mas ajustando-a ao público que maioritariamente iremos ter na plateia. As referências são muito datadas e Camões usa muito a mitologia grega. Além disso, a linguagem foi outro desafio. Tentámos facilitá-la, sem destruir a bela obra. Mais do que adaptar, o que foi feito foram alguns ajustes para a tornar mais entendível", explica a encenadora, e também, juntamente com Mafalda Pinto Correia, adaptadora. Beatriz faz ainda parte do elenco de cinco atores - juntamente com Élio Ferreira, Filipa Raquel, Manuel Nabais e Pedro Couto -, no seu caso, interpretando de forma versátil as personagens de Camões, de um soldado em Aljubarrota e de uma ninfa da Ilha dos Amores.

Esta revisitação do poema épico, apelando a novos públicos para o conhecimento e interpretação da literatura e da cultura portuguesa, encaixa-se perfeitamente num dos objetivos do Teatro do Bolhão, que procura levar à cena desde dramaturgias contemporâneas e textos inéditos até obras clássicas.

Neste caso, o público-alvo são sobretudo alunos entre o 9.º e o 12.º anos, que têm contacto com a obra através dos seus programas escolares. O preço dos bilhetes e os horários também convidam o público mais jovem a aderir ao espetáculo, que tem sessões específicas destinadas a escolas.

"Quando eu andava no 9.º ano não estava sequer a pensar em seguir teatro, mas lembro-me de ler e de perceber algumas partes quando a professora descodificava. Ficava fascinada sobre como era possível dizer algo tão simples de uma maneira tão bonita e com um encanto tão especial", recorda a encenadora, em declarações ao DN junto ao palco, onde fez uma pequena apresentação de uma cena.

A semana de estreia foi atarefada, reconhece. "Só penso nisto. Vou para casa ler o texto, venho para aqui com ideias novas. Mas a culpa é minha, porque fui eu que sugeri colocar Os Lusíadas em cena", desabafa.

Apesar da juventude, não é a primeira vez que Beatriz Frutuoso leva um espetáculo à cena do teatro localizado num palacete do século XIX da Rua Formosa, bem no coração do Porto. Tem vindo a trabalhar com a companhia do Teatro do Bolhão no contexto do Teatro Portátil, que se baseia em construir espetáculos que estão inseridos no Plano Nacional de Leitura para os diferentes anos letivos.

A escolha ficou a seu cargo e desta vez optou pela revisitação do poema épico de Camões, dando corpo e voz às personagens. "A produtora perguntou-me se eu poderia fazer um novo espetáculo e, ao folhear o programa letivo, tropecei n" Os Lusíadas. Era um texto de que gostava imenso e ao relê-lo percebi que tinha imagens lindas, que seria um desperdício não usar", conclui.

OS LUSÍADAS
Teatro do Bolhão, Porto
Até 17 de março
Horários: 10.30 e 15.00 (de segunda a sexta); 16.00 e 19.00 (sábados)
Bilhetes: 10 euros (sujeito a descontos)
Duração: 75 minutos



por Sérgio Pires, in Diário de Notícias | 9 de março de 2018
Notícia no âmbito da parceria Centro Nacional de Cultura | Jornal Diário de Notícias

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