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Há um guia que nos quer levar a passear pela Estrada Nacional n.º 2

“Fazer a Estrada Nacional n.º 2 é como fazer um filme de Portugal, de norte a sul, das montanhas até às praias da ria Formosa, passando pelas serras de Montemuro, de Monfurado e do Caldeirão e pelos rios Mondego, Paiva, Tejo e Zêzere”. 

Enric Vives-Rubio /Público


A editora Foge Comigo lançou um guia extensivo sobre a Estrada Nacional n.º 2, onde propõe, ao longo de 500 páginas, uma viagem de norte a sul, do Douro à ria Formosa, da serra de Montemuro à do Caldeirão.

“Fazer a Estrada Nacional n.º 2 é como fazer um filme de Portugal, de norte a sul, das montanhas até às praias da ria Formosa, passando pelas serras de Montemuro, de Monfurado e do Caldeirão e pelos rios Mondego, Paiva, Tejo e Zêzere”, disse à agência Lusa o responsável pela editora, Armando Carvalho.

Segundo o coordenador do projeto, face à tipologia da estrada, que liga Chaves a Faro, o guia, com cerca de 500 páginas, trabalha cada um dos 35 concelhos por onde a estrada passa, abordando a gastronomia, doçaria e vinho de cada território, mas também o património que se encontra no percurso. “Conseguimos encontrar o fio da História de Portugal ao longo da estrada”, frisou o responsável da editora, sediada em Santa Comba Dão, distrito de Viseu.

No guia, a Estrada Nacional n.º 2 é dividida em 20 etapas, com cada etapa a obedecer “a uma unidade de paisagem” e cinco delas a cidades – Chaves, Viseu, Lamego, Vila Real e Faro –, “que qualquer uma delas justifica muito tempo de paragem”.

“Todas as outras etapas são constituídas por unidades de paisagem, seja o eixo termal que passa por Vidago e Pedras Salgadas, ou o vale do Douro e o Douro Vinhateiro, para depois se abordar o Vouga, depois a região do Dão, numa sequência de unidades para cativar os visitantes a estarem o maior tempo possível em cada um dos locais”, vincou, recusando a ideia de se fazer a estrada “quase numa corrida”, em dois ou três dias, de carro ou de moto.

“É um guia vocacionado para quem vai tirar uns dias na Estrada Nacional n.º 2 para a ver. Se utilizarem tudo o que está no guia, vão demorar alguns meses a fazer a estrada e vão ficar muito surpreendidos com tudo aquilo que há em termos monumentais, de paisagem, de infra-estruturas de animação turística e de locais de alojamento”, explanou.

Para o responsável da Foge Comigo, o ideal será visitar diferentes pontos daquela estrada em diferentes alturas do ano: o Douro Vinhateiro após as vindimas, as praias fluviais durante o Verão, ou as aldeias de xisto da Região Centro no Entrudo. “O conselho é de que devem fazer mais do que uma vez a estrada – partir a viagem e fazer a estrada aos poucos, escolhendo a melhor época para cada um dos troços”, defendeu.

No guia, está também presente uma agenda de eventos culturais e tradicionais que decorrem nos 35 concelhos abrangidos, que vão do “Arrastão da Grande Pedra, em agosto, em Vila Pouca de Aguiar”, ao Jogo do Panelo com a louça de Bisalhães ou a Romaria a Cavalo, que atravessa Viana do Alentejo.

Também no guia, surge um levantamento de “um conjunto de testemunhos da estrada”, nomeadamente as casas de cantoneiros, sinalética do início do século XX e painéis de azulejo que existem ao longo da estrada, de publicidade a marcas como o Nitrato do Chile ou as Águas do Vimeiro.

O guia, sem publicidade, foi financiado pela própria empresa, que conta com uma parceria com a Associação de Municípios da Rota da Estrada Nacional 2, para a distribuição da publicação por pontos de venda em todos os concelhos abrangidos pela via.

Para o presidente da associação e da Câmara Municipal de Santa Marta de Penaguião, Luís Machado, o guia “é um instrumento que vai apoiar muito a divulgação da Estrada Nacional n.º 2, com a identificação dos pontos de interesse e da história dos municípios atravessados pela estrada”.

De acordo com Luís Machado, a associação está a trabalhar de momento para que se avance com um projeto para a sinalética daquela via, face à descontinuidade da estrada em alguns pontos, “para que quem faça a Nacional 2 não se perca”.


por Lusa e Público | 6 de março de 2018
Notícia no âmbito da parceria Centro Nacional de Cultura | Jornal Público

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