"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"

Destaques

DIÁRIO DE AGOSTO

O Centro Nacional de Cultura não esquece os associados e amigos em merecidas férias. Este ano, acompanhe o Diário de Agosto, da autoria de Guilherme d'Oliveira Martins, que responderá a dúvidas e fará comentários ao sabor da pena.

Boas leituras!

DIÁRIO DE AGOSTO
por Guilherme d'Oliveira Martins

  • 1 de agosto - PORQUÊ ALFACINHAS?

Este diário de Agosto responderá a dúvidas e fará comentários ao sabor da pena.
Para começar apresento a ilustração de Luís Diferr sobre Lisboa antes do Terramoto…
E faço eco de uma persistente pergunta – por que razão são os lisboetas designados, desde tempos imemoriais, por alfacinhas?
Almeida Garrett imortalizou o epíteto nas «Viagens na Minha Terra», mas não explicou: «Pois ficareis alfacinhas para sempre, cuidando que todas as praças deste mundo são como a do Terreiro do Paço».
Pois bem, alfacinha vem mesmo de alface (latim, lactuca saliva, do árabe al-khass) e o diminutivo é um sinal não apenas de afeto, mas também de uma certa depreciação… É que provavelmente foram os moçárabes dos arrabaldes, a quem os lisboetas chamavam saloios (da palavra çaloio, que era o tributo pago pelos padeiros mouros de Lisboa), que devolveram o cumprimento, comparando os lisboetas a grilos pelo gosto das alfaces que cultivavam, comiam e encomendavam aos almocreves que pagavam os seus tributos nas portas de Benfica para entrarem na cidade.
Correu a ideia de que no cerco de Lisboa de 1384 (de 4 meses e 27 dias) Lisboa se teria aguentado a comer alfaces. Não é verdade. O cerco foi levantado com o alarme de peste…
Em suma, «alfacinha» é um mimo dos moçárabes saloios, talvez cansados de exigências e sobrancerias…
Lisboetas, alfacinhas para sempre…


 

  • 2 de agosto DIÁLOGO NA «BRASILEIRA»…

O Chiado está cheio de histórias. José-Augusto França diz que a capital de Portugal é Lisboa e a capital de Lisboa é o Chiado, e tem razão!
Hoje recordamos um episódio invocado por Luís de Oliveira Guimarães… «Uma tarde Gualdino Gomes (1857-1948) entrou na Brasileira e pediu ao criado – o venerável João – chá e bolos. João não tardou com o lanche. – Os bolos estão frescos? – quis saber Gualdino. – Se são frescos! Vieram agora mesmo da pastelaria… Gualdino, encaixando o monóculo: - Isso não prova nada. Também eu vim agora mesmo de casa e já tenho 78 anos…».
Gualdino era um conhecido jornalista, crítico de teatro, a quem Fialho de Almeida, de «Os Gatos», acusava de não ter obra…
O certo, porém, é que foi durante muitos anos testemunha da boémia e da atividade teatral lisboeta e sobretudo elo entre a gloriosa geração de 1870 e os começos do século XX… Gostava de dizer: «Sou um leitor, não sou um escritor». Fizera a banca de jornalista no «Repórter» ao lado de Oliveira Martins, D. João da Câmara e Teixeira-Gomes…
Sobre «A Brasileira», dizia Raul Brandão: «A um canto, de gabinardo e barba branca, Gualdino prepara a última piada»…
Lisboa de outro tempo…



  • 3 de agosto | COMENDADOR PINTO…

Columbano Bordalo Pinheiro (1857-1929) foi no seu tempo e na história da pintura portuguesa uma referência de primeira grandeza. Por isso, era muito procurado para que fizesse os retratos das mais diversas personalidades. E chegaram até nós obras-primas ligadas aos maiores vultos da cultura e da vida nacional.
Enquanto seu irmão Rafael imortalizou no «Album das Glórias» os nossos maiores, Columbano fez retratos naturalistas que ombreiam com os de maior qualidade na pintura europeia.
Naturalmente que tinha critério e muito selecionava os seus eleitos. Se nos lembrarmos da Galeria de Presidentes da República, fácil é de verificar que são de Columbano os retratos mais intensamente marcantes.
Conta-se que havia o pedido especialmente insistente de um tal comendador Pinto, novo-rico endinheirado, brasileiro de torna-viagem, ostentando muitos ouros e sinais exteriores de opulência…
E o certo é que o tal senhor não desistiu de conseguir a resposta positiva do pintor. Um dia o comendador veio a Lisboa e dirigiu-se sem anúncio prévio ao ateliê de Columbano, a S. Francisco, no Chiado.
O artista quando soube da presença do estranho ficou incomodado com a impertinência, mas acedeu a recebê-lo, dizendo ter muito pouco tempo. Entrou o Comendador e Columbano recebeu-o de bata e com os pincéis na mão… Pinto começou a falar da grande admiração e do interesse em ser pintado pelo grande mestre. Mas este atalhou a conversa e perguntou: - Como disse Vossa Excelência que se chamava? – Pinto, comendador Pinto – redarguiu o interlocutor. – Ah! Pinto? … Não pinto!... E o assunto ficou por ali.



  • 4 de agosto | TRATOS DE POLÉ

Tratos de polé são, na expressão popular, maus tratos, tormentos. A polé era um instrumento de tortura usado pela Inquisição, que consistia em um «moitão seguro no teto, onde era suspensa a vítima, com pesos nos pés», por cordas, rolando numa roldana, deixando-a cair o carrasco em brusco arranco sem tocar no chão. 

Mas não é desse triste e macabro instrumento que vos falamos hoje, mas dos tratos de polé que sofre a nossa querida língua pátria todos os dias – não só pelo vulgo, mas também nas rádios e televisões, por pessoas que teriam a obrigação de não dar pontapés na gramática. E o certo é que respeitar a língua é respeitarmo-nos como identidade, como património vivo e como cultura. 

Exemplos? O verbo haver está muitas vezes a ser conjugado no plural e não pode ser. Diz-se sempre: Haverá ou há muitas coisas! E não os disparates que aí se ouvem. Já agora, haver escreve-se eternamente com agá - h! O verbo intervir anda confundido com não sei o quê. Diz-se intervim, interveio, interviemos! O plural de acordo não é acórdos – como o de molho (de carne) é molhos e não mólhos, que são de palha e próprios dos asnos. O plural de há de é hão de… Cuidado com as gafes do Gastão, que nem os macaquinhos sábios compreendem… Et cetera, et cetera… 
Numa palavra, queridos leitores, cuidado com a língua!



  • 5 de agosto | PRODUTIVIDADE...

O António Alçada Baptista era um incansável contador de histórias. Podiámos estar com ele horas a fio, serões seguidos, mas sempre havia motivo para bom convívio. A ele voltaremos mais vezes… Esta é dele.
Um amigo, diplomata brasileiro, foi colocado na Embaixada do Brasil na Holanda. Chegou à noite e, logo na manhã seguinte, telefonou para a Embaixada para combinar com o Embaixador a sua apresentação.
Atendeu o porteiro, um português emigrado, que assegurava a guarda daquela casa. O diplomata perguntou: - O Senhor Embaixador está? – O Senhor Embaixador não está. E como ele sabia como se compunha o quadro da Embaixada, foi perguntando, um por um, pelos seus titulares. Não estava nenhum.
Admirado, perguntou: - Então, de manhã não trabalham? Resposta do porteiro zeloso: - Não. De manhã não vêm. À tarde é que não trabalham!...



  • 6 de agosto | TROCA-TINTAS...


A porta da «Havaneza» no Chiado era local certo para reunir os janotas e os más-linguas.
Era lá que se juntavam os galãs para ver sair as meninas da missa dos Mártires e apreciar as beldades que desciam a calçada para tomar chá na Bénard, verdadeira passagem de modelos. Na Havaneza vendiam-se os melhores puros de Lisboa e os mais afamados tabacos portugueses e estrangeiros.
Sabemos que Cesário Verde era uma fraca figura, tímido, macilento, sempre entretido com os seus botões. Um dia, como de costume, descia a rua Larga de Santa Catarina, o nosso Chiado, vindo do Bairro Alto, onde deixara um poema no «Diário de Notícias», a caminho da loja de ferragens do pai na rua dos Fanqueiros.
Um dos habitués da porta da tabacaria que, por qualquer razão, implicava com Cesário, vendo-o, não se conteve e comentou alto e bom som: - Olha o Cesário Azul… O poeta parou, fitou o engraçado e apenas disse: - Com que então troca-tintas…



  • 7 de agosto | OS CANDEEIROS...

Esta também é do António Alçada, mas associa outro amigo do coração – o José Guilherme Merquior, grande ensaísta e diplomata brasileiro.
Pouco depois do 25 de Abril, o José Guilherme passou por Lisboa e fez uma conferência no Centro Nacional de Cultura sobre a crise da cultura contemporânea. Ele era uma personalidade fascinante que amava verdadeiramente a liberdade. Ainda havia naquele tempo um fervor revolucionário…
A conferência, como se esperava, foi um sucesso e revelou a extraordinária lucidez do seu autor. Um perguntador profissional invocou a ladainha habitual do materialismo dialético. E o José Guilherme foi claro, como era seu apanágio, na resposta:
- «O mais que eu posso conceder é que o materialismo dialético, como método de interpretação, pode ocasionalmente servir-nos de alguma utilidade, mas como filosofia, acho que funciona como os candeeiros para os bêbedos: mais para se agarrar do que para iluminar»…



  • 8 de agosto - ESPAMPANANTE…

Um pinga-amor muito conhecido na noite lisboeta mudava amiúde de namoradas, que ia ostentando com garbo no Chiado lisboeta para espanto de muitos. Acontece que nem sempre a cultura e a erudição acompanhavam a espetacularidade das senhoras… 
Um dia, descendo a rua da Misericórdia, o sujeito, que conhecia meio mundo e que gozava de simpatia mesmo daqueles que lhe davam o desconto pelo excesso da sua instabilidade afetiva, coincidente com a sua inclinação para a multiplicação de belas companhias, encontrou um velho conhecido… E demorou-se algum tempo na conversa, para desespero da jovem companhia, que se aguentava mal nuns sapatos espampanantes de saltos altíssimos. 
Terminado o colóquio, despediram-se os dois amigos e ela perguntou: - Quem era? – Era o Marquês de Pombal!... Incrédula e julgando tratar-se de brincadeira, respondeu: - Também se não queres dizer, não digas…



  • 9 de agosto A PALAVRA PORTUGAL!

Perguntam-me sobre a etimologia Portugal. Donde vem essa palavra mágica? Foi da cidade da foz do rio Douro que houve nome Portugal. Portus vem do latim e corresponde a uma entrada de mar – a raiz tem a ver com o elemento per, que em sânscito significa abertura, e que encontramos em oportunidade, isto é, na decisão do capitão do navio para entrar num porto...
Portucale ou Portugale (o c e o g em latim confundem-se) é o aglomerado da embocadura do rio Douro – e dur em sânscito significa um espelho de água. E que é Gale? A referência ao povo estabelecido naquela região. É um povo celta que vem do Oriente e se estabeleceu no noroestre da Península na Galiza.
Estamos a falar dos galos, galécios ou galegos – que se integram numa genealogia bem influente em todo o continente europeu.
E é assim que encontramos em toda a Europa primos nossos que se identificam pelo elemento gal: Gálatas, povos da Galácia, na parte central da Capadócia, que S. Paulo bem conheceu e fundaram o bairro de Istambul Galatasaray; Cracóvia fica na Galícia; Astérix é gaulês e está entre os avós dos franceses (nos ancêtres les gaulois), os galos são, aliás, o símbolo desse povo (que batizou o simpático animal com o onomatopaico coq – cocoricoo); no sul da Grande Bretanha fixaram-se os Galeses e aí se fala gaélico; e por fim chegamos aos trovadores do galaico-português... Eis uma identidade bem europeia com raízes na Índia...



  • 10 de agosto AS CORES DA NOSSA BANDEIRA...

Os nossos leitores, sempre atentos, perguntam sobre a razão de ser das cores da bandeira nacional. Foi uma comissão constituída por Columbano Bordalo Pinheiro, João Chagas, Abel Botelho, Ladislau Parreira e Afonso Palla que propôs a bandeira que temos.
O verde e o vermelho (a esperança e o sangue dos heróis) foram as cores adotadas pelo Partido Republicano Português e desde pelo menos a revolução do Porto de 31 de janeiro de 1891 simbolizaram a sua causa. O decreto de 19 de junho de 1911 adotou a bandeira nacional, instituindo como feriado nacional 1 de dezembro, dia da bandeira.
O retângulo bipartido verticalmente em duas cores fundamentais vermelho e verde estivera na Rotunda e na Praça do Município a 5 de outubro de 1910 – ainda que o vermelho estivesse junto da tralha. Guerra Junqueiro defendeu que a bandeira fosse azul e branca, na tradição liberal do constitucionalismo de D. Pedro IV – mas o seu ponto de vista não foi adotado.
No centro da bandeira encontra-se a esfera armilar de D. Manuel I, os castelos de D. Afonso III e ao centro as cinco quinas de D. Afonso Henriques, a invocar a Batalha de Ourique, representando de modo inequívoco a tradição histórica de Portugal.
O verde adotado, na linha da dinastia de Aviz e dos símbolos de D. Manuel, foi o esmeralda e não o verde escuro proposto por Columbano e aprovado pela comissão... No entanto, as tintureiras da Cordoaria Nacional não encontraram o verde escuro e ficou o esmeralda. Columbano comentou: - Não ficou como eu desejava, tenho pena...



  • 11 de agosto - LARÁPIO APAVORADO

Sophia de Mello Breyner foi exemplo de coragem, de talento e de determinação. A sua fragilidade aparente contrastava com um carácter surpreendentemente destemido. Conta-se que, ainda jovem, e numa zona pouco iluminada, foi assaltada, ou melhor, foi vítima de uma tentativa de assalto. 
Convém explicar que, pela vida fora, Sophia revelou uma aversão completa, que tantas vezes se manifestava com pavor, a fantasmas e a elevadores. Na dúvida, preferia sempre as escadas e em casas desconhecidas certificava-se sempre se não estavam assombradas. 
Um dia na PIDE descompôs um agente que pretendia levá-la de elevador para um andar superior do terrível antro... 
Mas voltemos ao episódio da tentativa do assalto... Sempre aparentemente distraída, ia no seu passo apressado, quando o meliante lhe estendeu a mão à mala. Sophia não largou a carteira e deu um enorme grito, lancinante, que deixou o ladrão petrificado e Sophia acrescentou, alto e bom som: - Ah! Julgava que era um fantasma! Afinal, é apenas um ladrão!... E o larápio fugiu a sete pés apavorado...



  •  12 de agostoA «ABERTINHA» DE GUALDINO...


Já conhecemos Gualdino Gomes, o crítico de teatro que tinha presença certa na boémia de Lisboa e fazia escritório na «Brasileira».
Na sessão de estreia de uma peça bastante publicitada, que tinha lugar no Teatro Ginásio, o conhecido jornalista estava pronto para comentar o espetáculo em cujo elenco havia figuras de proa do meio artístico... 
Tudo começou e desenvolveu-se, a preceito como mandam as regras – no entanto depressa se percebeu que aquele não era dia de sucesso. A peça era vulgar, os atores não estavam em forma, o ensaio deixava muito a desejar, as fragilidades eram tais que a voz do ponto era demasiado audível e as deixas estavam mal combinadas. 
Gualdino preparou um estratagema para se libertar daquele suplício – e, meu dito meu feito, a certa altura, havia uma tempestade em cena, que amainava para alegria do crítico... E então o escriba, levanta-se de modo ostensivo e diz: - «Vou-me andando, deixa-me aproveitar esta abertinha»...



  •  13 de agosto - UM PRATINHO E UM GATO...


Já falámos de Guerra Junqueiro, a propósito da polémica da bandeira nacional. Hoje, voltamos ao poeta de «Os Simples», numa outra faceta da sua vida – a de apaixonado pelas antiguidades, que colecionou abundantemente e que também negociou..
O poeta fez várias viagens, percorrendo o País de lés-a-lés, em busca de loiças antigas e de móveis. Ao longo da vida, adquiriu larga experiência e conhecimento que lhe permitiu reunir uma valiosa coleção que, em parte, chegou aos nossos dias na Casa-Museu Guerra Junqueiro no Porto.
Um dia, algures Entre-Douro-e-Minho foi-lhe dado visitar uma casa antiga, solar levemente decadente, no qual caixotes de batatas e legumes coexistiam com velhos móveis e arcazes indo-portugueses, em que na antiga biblioteca havia galinhas e coelhos em inteira liberdade...
Mas a atenção de Guerra Junqueiro fixou-se num gatinho e no pequeno prato onde se dessedentava com sopas de leite... O poeta afeiçoou-se ao simpático felino e pediu à dona da casa se poderia levá-lo consigo... A senhora hesitou. Referiu o afeto que reservava ao animal. Mas Junqueiro insistiu muito e com tanto enlevo, que lá levou o gato... Mas convém acrescentar que não esqueceu o respetivo pratinho, que era uma preciosidade autêntica da Companhia das Índias...


 

  •  14 de agosto - ALEXANDRE O´NEILL 

Alexandre O´Neill é um dos grandes poetas portugueses de sempre. A sua obra é inesgotável. Cada palavra é ideia e é festa...
Foi um dos grandes amigos de António Alçada e mantiveram sempre esse afeto, por nunca se levarem demasiado a sério.
Hoje escolhemos dois belos e enigmáticos poemas. O primeiro sobre a misteriosa palavra já:
«Já não é hoje? / Não é aquioje? / Já foi ontem? / Será amanhã? / Já quandonde foi? / Quandonde será? / Eu queria um jazinho que fosse / aqui já / tuoje, aqui já...»
O segundo foi imortalizado por Amália – e Adriana Calcanhoto lembra-o! É sobre uma minuciosa formiga! A fábula reinventada!
«Minuciosa formiga / não tem que se lhe diga: / leva a sua palhinha / asinha, asinha. / Assim devera eu ser / e não esta cigarra que se põe a cantar / e me deita a perder / Assim devera eu ser: / de patinha no chão / formiguinha ao trabalho e ao tostão. / Assim devera eu ser / Se não fosse não querer...».

 


 

  • 15 de agosto - O BARÃO DE ITARARÉ 

O Barão de Itararé (1895-1971) era um cultor do humorismo político. Recriou mil provérbios renovando-lhes o sentido. Eis alguns exemplos de seus provérbios reinterpretados: 

O que se leva desta vida é a vida que a gente leva. 

Diz-me com quem andas e eu direi se vou contigo. 

Não é triste mudar de ideias, triste é não ter ideias para mudar. 

Mantenha a cabeça fria se quiser ter ideias frescas. 

Quem empresta, adeus... 

Viva cada dia como se fosse o último - Um dia você acerta... 

Quando o pobre come frango, um dos dois está doente. 

A criança diz o que faz, o velho diz o que fez, o idiota diz o que vai fazer...

Devo explicar que o Barão de Itararé não era nobre nem nobilitado, esse era apenas seu pseudónimo. Chamava-se Aparício Torelly e celebrizou-se por uma inesgotável coleção de aforismos. É um dos grandes humoristas brasileiros e da língua portuguesa...


 

  • 16 de agosto - JOSÉ SESINANDO...
 
José Sesinando Palla e Carmo (1923-1995) foi escritor, ensaista, crítico, tradutor e especialista em literatura anglófona. É inesgotável a lista dos seus jogos de palavras. A sua escrita e as suas obras merecem ser mais e melhor conhecidos... Não resistimos a dar uma breve lista - recordando as suas impagáveis colunas no Jornal de Letras... Ei-los.

Foi Copérnico quem primeiro viu a estrela pular. 

Os terroristas raciocinam por explosão de partes... 

O Adágio de Albinoni, depois de muito tocado na rádio, tornou-se um adágio popular. 

Vá de Metro, Satanás! (este foi em diálogo com Alexandre O’Neill). 

Os conferencistas ateus não têm Papas na língua. 

É vidente: mente! Evidentemente. 

Sabe onde é que o Alberto moravia? 

Quem não tem Rolls, rói-se. 

Os tecnocratas estão classificados por ordem analfabética... 

Tudo leva a crer que os doze pares de França quando visitaram Portugal pernoitaram na Casa dos 24...




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