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Os coches já têm legendas (e muito mais)

É um Museu dos Coches por fim completo, o que abre portas amanhã, em horário alargado e com entrada gratuita.

Jorge Amaral/Global Imagens

 

"Você tem um museu maravilhoso! É muito lindo". Foi com estas palavras que o arquiteto brasileiro Paulo Mendes da Rocha cumprimentou a diretora do Museu dos Coches, Silvana Bessone, antes do início da visita guiada aos jornalistas, que decorreu ontem. O museu mais visitado do país reabre hoje, em cerimónia reservada aos convidados e, no sábado e domingo, franqueia as portas aos visitantes. E como no sábado se comemora a Noite dos Museus, é possível entrar até às 23.00.

Ao fim de dois anos em funcionamento no novo edifício projetado por Paulo Mendes da Rocha e pelos ateliês Bak Gordon e Nuno Sampaio, o Museu dos Coches ganha condições para que o visitante tenha ao dispor informação sobre o que está a ver. O Museu deixou, por fim, de ser - como se dizia em tom de chacota - uma garagem de luxo. O que há de novo? Em primeiro lugar, as barreiras brancas e baixas em torno dos coches, berlindas, liteiras, cadeirinhas e de outros meios de transporte construídos entre os séculos XVII e XIX. É como uma moldura que dispõe de texto em quatro línguas (além do português, francês, inglês e espanhol). Junto a estas barreiras há ecrãs que permitem a interação - e até contam histórias dirigidas a crianças.

Em 16 vitrinas encontram-se artefactos que enquadram cada grupo de coches. Por exemplo, em frente aos enviados por D. João V na embaixada ao Papa Clemente XI encontra-se uma pintura de Rodrigo Anes de Sá Almeida e Meneses, que, ao regressar de Roma, foi reconhecido pelo monarca como marquês de Abrantes.

Enquanto se ouve música clássica - mas também podem ser outros elementos sonoros -, as paredes brancas ganham uma nova dimensão ao receberem a projeção de filmes. Como o que recria uma caçada de D. Luís na Tapada de Mafra. "Olha a viagem no meio da floresta. Que lindo!", exulta o arquiteto brasileiro. Que tece rasgados elogios ao trabalho do português Nuno Sampaio na "acomodação" dos elementos expositivos e na dinâmica criada. Sobre o seu trabalho, diz o seguinte: "Este espaço tinha de ter altura. Ficaria ridículo se os coches ficassem num quartinho. Por não ter pilares ao meio, as vigas tiveram de ficar na parede." Quanto à localização e à envolvente, comenta: "O Governo queria ligar a estrutura ao rio com uma rampa.

Isto é uma região turística, não é só um edifício. Ganhou o lugar uma nova circunstância. Esta caixa hermética e climatizada necessariamente tinha de oferecer uma nova configuração do espaço urbano em Belém, o que é um grande valor do ponto de vista turístico e de memória histórica."

Ao DN, a diretora-geral do Património Cultural, Paula Silva, explicou que para a ponte pedonal começar a ser construída falta um último passo burocrático, o auto de consignação. "A obra vai ser iniciada nestes dias", garante.


por César Avó, in Diário de Notícias | 19 de maio de 2017

Notícia no âmbito da parceria Centro Nacional de Cultura | Jornal Diário de Notícias

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